Morre o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano

Por Marina, ContilNet 13/04/2015 às 14:16

20150413-095235Câncer

20150413-095235Morreu na manhã desta segunda-feira, aos 74 anos, o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano, em Montevidéu.

Ele teve complicações decorrentes de um câncer de pulmão, diagnosticado em 2007, e estava internado no Centro de Assistência do Sindicato Médico do Uruguai desde sexta-feira.

Galeano escreveu mais de 50 livros (traduzidos para cerca de 20 idiomas), entre documentários, ficções e obras jornalísticas, e tinha o futebol, as mulheres, a cultura e o continente latino-americano como principais temas de interesse.

Sua obra mais famosa foi “As veias abertas da América Latina”, que, desde sua publicação, em 1971, se converteu em um clássico da literatura política do continente. Entre os livros notáveis do uruguaio, está também a trilogia “Memória do fogo”.

Nascido no dia 3 de setembro de 1940, aos 14 anos já vendia caricaturas para jornais de Montevidéu. Nos anos 1960, como jornalista, trabalhou no semanário “Marcha” e no diário “Época”. Porém, antes de se tornar um jornalista e líder intelectual da esquerda, Galeano trabalhou como operário de fábrica, desenhista, pintor, office boy, datilógrafo, caixa de banco, entre outras ocupações.

Lançou “As veias abertas da América Latina” aos 31 anos e reconheceu posteriormente que ainda não tinha formação suficente para finalizar a tarefa naquela época. “O livro buscava ser um obra de economia política, mas eu não tinha a formação necessária para isso”, disse ele. “Não me arrependo de ter escrito, mas é uma etapa que, para mim, está superada”, acrescentou.

Por conta do golpe militar uruguaio, Galeano deixou o país em 1973 e passou a morar na Argentina, onde fundou uma revista cultural chamada “Crisis”. Quando voltou ao Uruguai, treze anos depois, criou o semanário “Brecha”. Nos últimos meses, se dedicava a editar um novo livro chamado “Mujeres”, considerado um experimento editorial.

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“A única maneira para que a história não se repita é mantendo ela viva”, escreveu certa vez o uruguaio. Depois do exílio, se não estava viajando, era fácil encontrar Galeano vagandos pelas ruas de Montevidéu ou sentado ao redor de uma das mesas do Café Brasileiro, na Cidade Velha, onde ordenava suas ideias ou participava de conversas com amigos e estranhos.

Em 2009, durante a Cúpula das Américas, o ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, presenteou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com um exemplar do livro de Galeano (censurado pelas ditaduras do Uruguai, Argentina e Chile). Por conta da ocasião, em um dia, o livro pulou da 60.280ª para a décima posição na lista dos mais vendidos da Amazon.

Questionado sobre o episódio, Galeano respondeu que “nem Obama e nem Chávez entenderiam o texto. Ele (Chávez) entregou a Obama com as melhores intenções, mas lhe deu um livro em um idioma que Obama não conhece. Então, foi um gesto generoso, mas um pouco cruel”.

Conteúdo Original / Fonte: Globo

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