histórias da cheia
Os filhos e um colchão de solteiro velho foi o que restou para Raimunda Renata, de 34 anos, que morava de aluguel no bairro Cidade Nova. A enchente que atingiu a residência na madrugada de terça-feira (2) não deu tempo para a autônoma retirar roupas, móveis, eletrodomésticos e demais pertences do interior da casa.
Vítima constante das enchentes, Renata já perdeu um filho que estava dentro da água, no fundo do quintal, na sua antiga casa, no bairro Taquari, quando um fio de alta tensão se desprendeu do poste e caiu bem perto do menino, que morreu na hora com a descarga elétrica.

Ao pensar que estaria se mudando para um lugar menos perigoso e que há muitos anos não era atingido pela enchente do rio Acre, Renata foi surpreendida novamente pelas águas e perdeu todos os seus pertences, indo parar no abrigo improvisado localizado no ginásio do Sesi, no conjunto Manoel Julião.
“Hoje, meu coração não para de pensar no meu filho que morreu nesse período de alagação, e vivenciando tudo novamente, não sei como reagir com essa situação; tenho até medo de acontecer algo com meus outros filhos. A respeito da enchente, não acreditei como muitos vizinhos também, que a água acabaria chegando a esse nível, e acabamos perdendo tudo. Meu filho caçula, de um ano e sete meses, tem somente algumas fraldas que doaram logo que cheguei aqui no abrigo. Perdi tudo e não sei o que fazer; precisamos de roupas, fraldas para meu filho. Recebo somente o Bolsa Família e uma pensão de R$ 140 do meu ex- marido. Minha situação e de meus filhos é preocupante e não sei a quem recorrer”, disse Renata, bastante emocionada.
Ao descrever a situação vivenciada por ela e por muitos que foram vítimas da enchente, as lágrimas começam a cair, e as mãos tentam conter a tristeza de passar mais uma vez pelo drama.
“Nunca pensei que fosse passar por tudo novamente, dessa vez, graças a Deus, não perdi nenhum filho e espero não perder, mas perdemos tudo que conquistamos com muito esforço e trabalho. Queria que as pessoas me ajudassem, estou sem nada e necessitamos de muitas coisas”, relata.

O sonho da casa própria
Segundo Raimunda Renata, quando ela morava no bairro Taquari, por diversas vezes tentou se cadastrar junto ao governo do Estado nos programas habitacionais, mas nunca conseguiu, mesmo conversando com secretários e pessoas competentes no assunto.
“Acionei o Ministério Público, que recomendou o cadastramento da minha família, mas toda vez que vou buscar saber se vou ganhar minha casinha para morar com meus filhos, o pessoal diz que não tem previsão, já que fui cadastrada pelo bairro Taquari, que eles dizem que não está dentro dos bairros contemplados nesse momento”, explicou.
De acordo com Renata, seus filhos sonham com a casa própria para terem seus espaços para brincar, ajudar a mãe nos afazeres de casa e receber os amiguinhos de escola.
“Quem puder me ajudar, é só ligar no (68) 9602 0945; preciso de uma moradia, mas neste momento necessito de roupas, colchão, fraldas e alimentação”, ressaltou Renata.
A autônoma está alojada no abrigo 14 do no ginásio anexo do Sesi, com seus filhos.