Nova espécie de mosca é registrada pela primeira vez no Acre
Embora muitas vezes vistas apenas como incômodos do cotidiano, as moscas desempenham funções ecológicas vitais na natureza, atuando na decomposição de matéria orgânica, na polinização e como parte da cadeia alimentar de outros animais.
Uma pesquisa realizada no Laboratório de Biodiversidade e Evolução de Panarthropoda (Labep), vinculado à Coordenação de Zoologia do Museu Paraense Emílio Goeldi (Cozoo/MPEG), revelou a existência de seis novas espécies de moscas do gênero Dexosarcophaga. A espécie Dexosarcophaga globulosa Lopes, 1946, foi registrada pela primeira vez em Rio Branco, capital do Acre.
Essa espécie, na Amazônia brasileira, só havia sido registrada nos estados do Pará, Amazonas e Roraima.
Outras duas espécies, a Dexosarcophaga pallida Santos, Pape, & Mello-Patiu, 2022 e Dexosarcophaga wyatti (Mello-Patiu & Pape, 2000), encontradas em Manaus, no Amazonas, representam um novo registro para o Brasil. Anteriormente, elas haviam sido descritas na Colômbia e na Guiana, respectivamente.
No mesmo artigo científico, são apresentadas informações sobre a distribuição geográfica de outras seis espécies do mesmo gênero, vistas pela primeira vez na Amazônia brasileira.
O estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores Matheus Tavares de Souza (PPGZOOL/MPEG/UFPA), Caroline Costa de Souza (Namosca/Ufra), Fernando da Silva Carvalho Filho (MPEG) e Maria Cristina Esposito (ICB/UFPA). A pesquisa foi publicada em julho, na revista científica internacional “Journal of Medical Entomology”.
As descobertas, além de ampliar o conhecimento sobre a diversidade de moscas desse gênero, que são conhecidas no meio científico por sua relevância para a entomologia forense.
Critérios de nomeação
Os pesquisadores descreveram as novas espécies e nomearam a partir de três critérios: duas espécies homenageiam pesquisadores do Museu Goeldi (Alberto Akama e Inocênio Gorayeb), que coletaram os espécimes e lideraram expedições do MPEG aos locais onde foram amostrados e outras três fazem referência aos locais em que foram encontradas, e uma espécie foi nomeada em memória do pai da pesquisadora Caroline Costa de Souza, que, segundo ela, foi uma referência fundamental para sua trajetória científica.
As novas espécies
Dexosarcophaga akamai: a espécie foi descrita e nomeada em homenagem ao pesquisador do Museu Goeldi Alberto Akama, que liderou em 2016 a expedição ao Cantão, região localizada na divisados estados do Pará, Tocantins e Mato Grosso, onde o espécime foi coletado. Ele ficou por 10 anos na coleção entomológica do MPEG, aguardando sua descrição.
Dexosarcophaga gorayebi: a espécie foi nomeada em homenagem ao pesquisador do Museu Goeldi, Inocêncio Gorayeb, que participou, em 2000, da expedição à fazenda Ema, no município de Viseu, no Pará, onde Gorayeb coletou o espécime, que permaneceu por 26 anos na coleção entomológica do MPEG à espera da sua descrição formal.
Dexosarcophag ducke: a descrição desta espécie faz referência à localidade em que o espécime-tipo foi coletado, na Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus, no Amazonas. Integrada à coleção entomológica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) desde 1990, Dexosarcophaga ducke aguardou 36 anos para ser descrita, o maior tempo registrado nesta pesquisa.
Dexosarcophaga mamiraua: a espécie recebeu o nome em homenagem à Reserva Mamirauá, local em que o espécime foi coletado, em 1993, por dois pesquisadores do Museu Goeldi: Inocêncio Gorayeb e Orlando Tobias Silveira. Após 33 anos, o espécime foi descrito.
Dexosarcophag ribeirinha: o termo “ribeirinho” é utilizado para designar aqueles que vivem à margem dos rios. Coletada em 2010, sobre a lâmina d’água, às margens do rio Padauari, em Mamirauá, no Amazonas, o nome dessa espécie faz referência ao ambiente em que foi coletado. O espécime aguardou 16 anos na coleção entomológica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) para ser descrito formalmente.
Dexosarcophag harin: a espécie foi coletada em Mamirauá, no Amazonas, em 1993 e permaneceu por 33 anos na coleção do MPEG. A descrição homenageia Paulo “Harin” Galvão, pai da pesquisadora Caroline de Souza, que faleceu em 2023. Harin foi o maior incentivador do estudos em biologia da filha, que atualmente é professora do curso de biologia da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), no campus de Capitão-Poço, e coordena o Núcleo Amazônico de Pesquisa em Morfologia, Sistemática e Ecologia de Artrópodes (Namosca), vinculado à mesma universidade.