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Pesquisador do Acre integra estudo que revelou ‘cobra-cega’, nova espécie de anfíbio

Por Maria Fernanda Arival, ContilNet 12/09/2026 08:47 Atualizado em 12/09/2026 08:48
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A ciência feita no Acre ganhou destaque internacional em um estudo que revelou uma nova espécie de anfíbio e corrigiu falhas históricas de classificação biológica em acervos científicos. A pesquisa, que descreve a Siphonops maria (popularmente apelidada de “cecília-maria”), contou com a contribuição do pesquisador Paulo R. Melo-Sampaio, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre (Ifac), de Xapuri. 

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Liderado por cientistas do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), o artigo científico chamado “Avaliação filogenética e osteológica de espécimes atribuídos a Siphonops hardyi(Gymnophiona: Siphonopidae), com a descrição de uma nova espécie do Rio de Janeiro, Brasil” foi publicado no periódico científico Zoological Journal of the Linnean Society.

O estudo reuniu especialistas de diversas partes do Brasil e do exterior para investigar a família Siphonopidae, grupo de anfíbios escavadores conhecidos popularmente como “cobras-cegas”.  De acordo com o Museu, as análises se concentraram na segunda família mais rica em espécies de cecílias da América do Sul, a Siphonopidae, que registra ocorrências em todos os biomas brasileiros, mas com maior concentração na Amazônia e Mata Atlântica.

O artigo apontou, ainda, que o nome tem sido usado de forma equivocada para catalogar diversos espécimes de linhagens semelhantes, em relação ao aspecto externo.

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Para o estudo, os cientistas combinaram análise filogenética molecular com morfologia externa, dentição e estudo comparativo dos ossos do crânio. Foram observados quase 30 parâmetros diferentes, que ajudaram a identificar diferenças da anatomia de cada grupo.

Correção técnica e alta tecnologia

A nova espécie, coletada em remanescentes de Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro, mede até 19,2 cm e possui hábitos subterrâneos. O grande mérito da pesquisa foi identificar que diversos exemplares do animal estavam catalogados de forma errônea em coleções herpetológicas brasileiras e internacionais sob a alcunha de outra espécie (Siphonops hardyi). 

Homenagem histórica

Além do avanço científico, o nome dado à espécie traz uma forte carga histórica e social. O epíteto maria homenageia uma mulher escravizada no século XIX que, sem sobrenome registrado pelo sistema escravocrata da época, participou do reflorestamento da Floresta da Tijuca, plantando milhares de árvores sob ordens do império.

Segundo os autores, a escolha também faz referência ao nome feminino mais comum no Brasil, simbolizando uma homenagem a todas as mulheres brasileiras. 

A nova espécie 

Nome científico: Siphonops maria

Nomes populares sugeridos pelos autores: cecília-maria, cobra-cega-de-maria

Família: Siphonopidae

Gênero: Siphonops

Ocorrências: Mata Atlântica, municípios do Rio de Janeiro e Niterói – RJ

Os pesquisadores autores e suas respectivas instituições e localidades de origem:

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