24/08/2026

Partidos que disputam o Acre terão bilhões em fundo eleitoral; veja quanto cada um recebe

Distribuição dos recursos fortalece alianças de Mailza, Alan Rick, Bocalom e Thor

Por Matheus Mello, ContilNet

O dinheiro que abastece as campanhas eleitorais de 2026 já permite enxergar, em números, o peso que cada partido terá na disputa. Embora o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) mantenha o mesmo tamanho de 2022, em torno de R$ 4,96 bilhões, a distribuição dos recursos mudou significativamente, e coloca o PL no topo do ranking nacional.

A legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro terá R$ 881,7 milhões, o equivalente a 17,77% de todo o fundo eleitoral. Na prática, quase R$ 1 de cada R$ 5 destinados pelo fundo às campanhas neste ano estará sob o controle do PL.

O PT aparece em segundo lugar, com R$ 615,4 milhões, seguido por União Brasil, com R$ 526,2 milhões; PSD, com R$ 421 milhões; PP, com R$ 417,1 milhões; MDB, com R$ 400 milhões; e Republicanos, com R$ 348,6 milhões.

A mudança mais expressiva é justamente a do PL. Em 2022, o partido recebeu R$ 288,5 milhões e ocupava apenas a sétima posição. Em quatro anos, o valor cresceu 205,6%.

O PT também ganhou espaço, passando de R$ 503,4 milhões para R$ 615,4 milhões, alta de 22,3%. Já o União Brasil, que havia recebido a maior fatia em 2022, viu seus recursos caírem de R$ 782,5 milhões para R$ 526,2 milhões, uma redução de 32,8%.

partido em 2022 (R$ mi) em 2026 (R$ mi) variação 2026/2022 (%)
PL 288,52 881,66 +205,6
PT 503,36 615,37 +22,3
União Brasil 782,55 526,24 -32,8
PSD 349,92 421,01 +20,3
PP 344,79 417,07 +21,0
MDB 363,28 400,00 +10,1
Republicanos 242,25 348,59 +43,9
Podemos 267,61 245,97 -8,1
PDT 253,43 169,29 -33,2
PSB 268,89 152,25 -43,4
PSDB 320,01 147,90 -53,8
Psol 100,04 131,51 +31,5
Solidariedade 204,36 88,53 -56,7
Avante 69,24 72,52 +4,7
PRD 200,98 71,82 -64,3
PCdoB 76,08 60,53 -20,4
Cidadania 87,94 60,17 -31,6
PV 50,58 45,18 -10,7
Novo 90,11 37,04 -58,9
Rede 69,67 35,80 -48,6
Agir 3,10 3,31 +6,7
DC 3,10 3,31 +6,7
Democrata 3,10 3,31 +6,7
Missão não existia 3,31
Mobiliza 3,10 3,31 +6,7
PCB 3,10 3,31 +6,7
PCO 3,10 3,31 +6,7
PRTB 3,10 3,31 +6,7
PSTU 3,10 3,31 +6,7
UP 3,10 3,31 +6,7

A distribuição ajuda a explicar por que o fundo eleitoral é tão importante na montagem das campanhas. Não se trata apenas de pagar material de divulgação. O dinheiro financia estrutura, publicidade, produção de conteúdo, deslocamentos e toda a operação necessária para uma candidatura competitiva.

E, no Acre, a fotografia nacional do fundo eleitoral ganha um componente político próprio.

O dinheiro e as alianças no Acre

As maiores legendas do país estão distribuídas entre os principais projetos que disputam o governo acreano.

O PL, que terá a maior fatia do fundo, está na aliança que apoia a governadora Mailza Assis (PP). A sigla tem como principal liderança no Estado o senador Márcio Bittar.

O PP, partido de Mailza, receberá R$ 417,1 milhões nacionalmente. A chapa da governadora também conta com MDB, que indicou a vice Jéssica Sales, além de União Brasil e PDT, entre outras siglas.

É justamente aí que o tamanho do fundo eleitoral começa a produzir efeito político: a candidatura de Mailza está apoiada por partidos que, somados, têm acesso a uma parcela expressiva dos recursos disponíveis nacionalmente.

Do outro lado, o Republicanos, partido do senador Alan Rick, terá R$ 348,6 milhões. A legenda integra a aliança formada ainda por PSD, Novo e Avante.

O PSD, que tem como principal liderança no Acre o senador Sérgio Petecão, terá R$ 421 milhões para as eleições de 2026.

Já o PT, que terá a segunda maior fatia do fundo eleitoral, decidiu apoiar a candidatura do médico Thor Dantas (PSB)ao governo. A aliança reúne ainda Podemos e a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

O dado financeiro dá uma dimensão adicional ao peso da aliança. O PT sozinho terá R$ 615,4 milhões. O PSB, partido de Thor, receberá R$ 152,3 milhões, enquanto o Podemos terá R$ 246 milhões.

Ou seja: embora o PT não esteja na chapa majoritária de Thor, sua presença na coligação representa mais do que tempo de propaganda eleitoral. Representa também capacidade financeira para a campanha.

PL dispara e PSDB perde espaço

A divisão de 2026 também mostra uma mudança importante no equilíbrio de forças entre os partidos.

Além do salto do PL, o Republicanos aumentou sua fatia em 43,9%, passando de R$ 242,3 milhões em 2022 para R$ 348,6 milhões.

PSD e PP também avançaram, com altas de 20,3% e 21%, respectivamente.

Na outra ponta, partidos tradicionais perderam recursos.

O PSDB, que em 2022 recebeu R$ 320 milhões, terá R$ 147,9 milhões em 2026, uma queda de 53,8%. A legenda é comandada no Acre pelo ex-prefeito Tião Bocalom, que disputa o governo estadual.

O PSB, de Thor Dantas, também perdeu recursos: passou de R$ 268,9 milhões para R$ 152,3 milhões, redução de 43,4%.

O PDT terá R$ 169,3 milhões, contra R$ 253,4 milhões em 2022. O Podemos receberá R$ 246 milhões, queda de 8,1%.

No Acre, portanto, a eleição será travada não apenas entre nomes e alianças, mas também entre estruturas partidárias com capacidades financeiras bastante diferentes.

Quem tem mais dinheiro não necessariamente tem mais voto

O fundo eleitoral é um ingrediente importante, mas não determina sozinho o resultado de uma eleição.

Dinheiro ajuda a montar uma campanha competitiva, ampliar presença nas ruas, produzir propaganda e contratar estrutura. Mas não substitui voto, candidato, alianças, tempo de televisão e rádio ou capacidade de comunicação com o eleitor.

O que os números mostram, porém, é que algumas candidaturas chegam à corrida eleitoral com uma vantagem estrutural.

No Acre, Mailza, Alan Rick, Thor Dantas e Bocalom estão apoiados por partidos com diferentes níveis de acesso ao fundo eleitoral. E essa diferença tende a aparecer de forma mais clara à medida que a campanha avançar.

No caso de Thor, a presença do PT pode ser particularmente relevante. O partido tem a segunda maior fatia do fundo nacional e, mesmo sem ocupar a cabeça da chapa, leva para a aliança recursos e estrutura que o PSB sozinho não teria.

Na disputa entre Mailza e Alan, por sua vez, o cenário também é revelador: de um lado, uma candidatura apoiada por PP, PL, MDB e União Brasil; do outro, uma aliança liderada pelo Republicanos e com PSD.

No fim, a matemática do fundo eleitoral não escolhe o próximo governador. Mas ajuda a explicar quem terá mais munição para tentar convencer o eleitor acreano.

E, em uma eleição cada vez mais profissionalizada, essa diferença pode pesar.

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