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Plano de manejo define regras para conservação na APA do São Francisco

Por Anne Nascimento, ContilNet Fonte: Agência de Notícias do Acre 30/06/2026 às 11:01
Plano de manejo define regras para conservação na APA do São Francisco

APA Igarapé São Francisco reúne áreas rurais, fragmentos florestais, cursos d’água e comunidades que compõem um território estratégico para Rio Branco. Foto: Gaio Nogueira/Sema

Considerado o principal instrumento de gestão da Área de Proteção Ambiental (APA) do Igarapé São Francisco, o plano de manejo estabelece as regras para o uso e a ocupação da unidade de conservação, conciliando a preservação ambiental com a produção familiar desenvolvida por comunidades que vivem no território, localizado entre Rio Branco e Bujari.

Criada em 2005, a APA do Igarapé São Francisco protege uma área formada por remanescentes florestais, nascentes, cursos d’água e propriedades rurais onde famílias desenvolvem atividades agrícolas e pecuárias. As diretrizes para a utilização desse território estão reunidas no plano de manejo, documento que orienta desde o zoneamento da unidade até as atividades permitidas em cada área.

Segundo o gestor da APA, Ricardo Plácido, o documento é a principal referência para garantir que a conservação ambiental e o desenvolvimento das comunidades ocorram de forma equilibrada.

“O plano de manejo é o principal e obrigatório instrumento de gestão de uma unidade de conservação. Ele deve ser elaborado da forma mais participativa possível em relação à sociedade que será obrigada a seguir suas regras, pois esse documento tem força de lei no território, como uma espécie de plano diretor.”

Plano de manejo define regras para conservação na APA do São Francisco

Programa de Resiliência Socioambiental integra ações de segurança hídrica, restauração florestal, bioeconomia e participação social na APA. Foto: Gaio Nogueira/Sema

 

Conforme o gestor, o plano leva em consideração as características de cada região da APA para orientar atividades produtivas, o licenciamento ambiental e outras ações voltadas ao uso sustentável dos recursos naturais.

“O documento considera as peculiaridades locais, as vocações e as potencialidades de cada zona da APA. As regras de uso orientam atividades produtivas e procedimentos como o licenciamento ambiental, com o objetivo de assegurar o caráter sustentável da região.”

Além da conservação ambiental, a produção familiar é reconhecida pelo plano de manejo como um dos recursos fundamentais da unidade. A área abriga comunidades que atuam no cultivo de hortaliças, frutas, criação de animais e outras atividades ligadas ao abastecimento local e à segurança alimentar.

Na avaliação de Ricardo Plácido, políticas públicas voltadas ao território também ajudam a enfrentar demandas históricas das comunidades e criar novas oportunidades de desenvolvimento.

“O Programa de Resiliência Socioambiental tem uma importância fundamental porque apoia ações e o desenvolvimento de políticas públicas que preenchem várias lacunas e gargalos difíceis, desde dificuldades básicas dos moradores, como insegurança hídrica, até agendas positivas, como o fortalecimento da cadeia de ecoturismo nesses territórios.”

Entre os desafios apontados pelo gestor estão a recuperação de áreas degradadas e a recomposição da cobertura florestal.

“Grande parte do território já não tem mais maciços florestais, restando apenas remanescentes e fragmentos das florestas do igarapé São Francisco. Então, a restauração da paisagem florestal e a criação de corredores ecológicos reflorestados nos igarapés que deságuam no São Francisco são alguns dos principais desafios.”

A APA do Igarapé São Francisco também desempenha um papel importante na proteção dos recursos hídricos da capital. Segundo Plácido, a cobertura florestal remanescente contribui para a manutenção de serviços ecossistêmicos essenciais.

“O igarapé São Francisco, além de ser o segundo maior afluente do Rio Acre, que abastece a capital acreana, tem vários bairros em sua zona de influência. A cobertura florestal dos remanescentes de mata do igarapé São Francisco é crucial para a promoção dos serviços ecossistêmicos, que são essenciais para o equilíbrio ecológico da região.”

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