O professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Luis Gustavo de Almeida, foi convidado pela Nasa, agência espacial americana, a participar como revisor de projetos de pesquisa em edital recente aberto pela instituição.
Aberto anualmente, o edital visa fomentar pesquisa em setores de interesse estratégico da Nasa, com linhas temáticas vinculadas a diferentes painéis. Professor do curso de Física da Ufac, Almeida revisou projetos do painel “Objetos Colapsados” (buracos negros e estrelas de nêutron, entre outros), área em que possui vasta experiência.
Graduado em Astronomia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) o professor e doutor em Física Nuclear pelo CBPF. A equipe ContilNet entrou em contato com o professor e conseguiu entrevista, onde ele conta a experiência, confira.

O professor participou do projeto em agosto deste ano/Foto: arquivo pessoal
Lecionei de 2009 a 2016 no Campus Floresta da UFACem Cruzeiro do Sul e no Campus Sede em Rio Branco desde 2017.
Fui convidado como pesquisador visitante para avaliar projetos de pesquisa em edital aberto pela NASA. A NASA, por ser um órgão Federal do governo dos EUA, só financia projetos de instituições sediadas lá. Entretanto, para garantir a isenção e imparcialidade nas avaliações, eles buscam pesquisadores de instituições internacionais.
Como a Astrofísica Nuclear é uma área bem restrita, há pouca gente pesquisando os temas dos projetos avaliados, eles fizeram essa busca em seus arquivos e lá constatava meu nome pois um amigo que fez pós doutorado no Texas incluiu meu nome num projeto proposto por ele no passado. Na época eu ainda estava no mestrado, mas pelo tempo decorrido, eles concluíram acertadamente que eu já sou doutor na área e pediram meu currículo para comprovação de minha atuação na área.
Confirmada a minha expertise para julgar os projetos, foi só uma questão de liberarem meu acesso aos arquivos dos projetos e avalia-los. Inclusive, são projetos de interesse estratégico da NASA e portanto do governo dos EUA, ou seja, são sigilosos e não estou autorizado a detalhar nenhuma informação dos referidos projetos.
Para acomodar vários pesquisadores do mundo todo, a NASA realizou as discussões no Centro de convenções do Hotel Baltimore Marriott, na cidade de Baltimore, estado de Maryland. O processo todo transcorreu de 15 a 17 de agosto.
Em nível pessoal: creio que é sonho de todo astrônomo participar de algum trabalho da NASA. Em nível profissional: como professor, creio que é um estímulo maior para os alunos esse diferencial de ter um professor que já trabalhou com a NASA; como pesquisador, me ajudou a formar mais contatos de pesquisa; como divulgador, traz visibilidade para mim e para a UFAC no que se refere às Ciências da Natureza. As pessoas ainda vêem natureza como algo biológico, mas uma coisa que sempre falo aos meus alunos: a natureza vai além da biologia. Temos a Física, a Astronomia, a Química e a Matemática também como ciências naturais. Estamos confiantes que talvez até possa ajudar a justificar pedidos de recursos institucionais para nossas pesquisas.
A Astronomia sempre inspirou a humanidade. Desde que comecei a dar aulas na UFAC para a cursos de Ciências Agrárias e Biológicas no Campus de Cruzeiro do Sul eu percebi que os alunos de outras áreas precisam de uma aula diferenciada. Sempre que possível eu faço uma ligação com a Astronomia quando eu ensino um dado tópico. A Astronomia, em minha opinião, é uma das disciplinas mais interdisciplinares e transdisciplinares que existem. Sempre que ensino conceitos físicos novos, do ponto de vista dos alunos, tento dar exemplos de aplicação na Astronomia. Essa experiência só enriquece meu arsenal de argumentos. Creio que poderemos aos poucos desmistificar o conceito que se tem de que Física e Astronomia são ciências muito complicadas e para poucos. A UFAC inclusive já estuda a implantação de um bacharelado em Física que poderá ser beneficiado por essa visibilidade que estamos tendo agora.
Depende deles, se precisarem novamente de mim. O que é uma possibilidade pois o mais difícil já consegui, que foi a primeira indicação. Como eu disse, é um nicho científico muito pequeno, comparado com outras áreas, a linha temática específica na qual trabalho na Astrofísica Nuclear.
