Quase 100% das puérperas não se vacinaram contra a gripe no Acre

De todos os 22 municípios, nenhuma puérpera se vacinou em 13 deles

Por Maria Fernanda Arival, ContilNet 25/06/2026 às 15:08
Grupo de puérperas tem cobertura vacinal de 2,60%/Foto: Reprodução

Dados do novo boletim de Síndromes Respiratórias da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) apontam para baixa cobertura vacinal da Influenza Trivalente. O documento foi divulgado na última quarta-feira (24).

De acordo com o relatório, nenhum dos grupos prioritários atingiu a meta de 90% de cobertura vacinal, “o que ajuda a explicar por que o estado permanece em nível de alerta e o porquê de as crianças menores de 10 anos e idosos continuarem liderando as hospitalizações”.

O índice mais alarmante é do grupo das puérperas, com cobertura residual de 2,60%. “Uma cobertura residual de 2,60% deixa as mães recentes completamente desprotegidas no período pós parto, eliminando a imunidade indireta (via leite materno) para os recém-nascidos contra a Influenza”, diz o texto.

De todos os 22 municípios, nenhuma puérpera se vacinou em 13 deles, incluindo Rio Branco. As cidades com registro de cobertura vacinal desse grupo são Xapuri (2,70%), Manoel Urbano (2,86%), Plácido de Castro (3,23%), Porto Acre (2,68%), Sena Madureira (3,09%), Senador Guiomard (4,76%), Cruzeiro do Sul (5,26%), Feijó (2,17%), Marechal Thaumaturgo (8%), Porto Walter (10,71%), Rodrigues Alves (2,94%) e Tarauacá (0,72%).

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Apenas cerca de um quarto da população idosa, com 60 anos ou mais, foi imunizada, de acordo com o boletim. “Embora os óbitos por SRAG nesse grupo tenham caído em 2026 (conforme analisado anteriormente devido ao recuo da Covid-19), a baixa cobertura vacinal contra Influenza representa um risco latente gravíssimo para um novo repique de internações e mortes nessa faixa etária”, explicou o boletim.

A cobertura nas crianças de 6 meses a menores de 6 anos não chega à metade da meta ideal. De acordo com o boletim, a falta de vacina da gripe facilita o avanço de quadros de Síndrome Gripal para SRAG nesse público.

Já o grupo de gestantes e indígenas estão com cobertura vacinal abaixo da meta. As gestantes possuem a melhor cobertura do gráfico, com 64,05%, mas ainda distante dos 90%. A população indígena registra apenas 30,73% de cobertura.

O boletim detalha, ainda, a cobertura vacinal por regionais de saúde. O Juruá apresenta a menor cobertura vacinal de idosos do estado, com média de apenas 21,01%. Os municípios como Rodrigues Alves (11,94%) e Porto Walter (17,39%) registram as taxas mais baixas.

Na regional de maior densidade populacional, a capital Rio Branco apresenta coberturas de 40,50% em crianças e 44,65% em idosos. O cenário é agravado pelo colapso vacinal de municípios limítrofes, como Bujari, que vacinou apenas 8,28% dos idosos e 20,87% das crianças.

Veja a tabela de cobertura vacinal:

Quase 100% das puérperas não se vacinaram contra a gripe no Acre

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