Quatro meses após atentado, Instituto São José muda rotina e reforça segurança
Neste sábado (5), completam-se quatro meses do ataque a tiros que deixou duas funcionárias mortas dentro do Instituto São José, em Rio Branco. A tragédia, ocorrida em 5 de maio, abalou a comunidade escolar e provocou mudanças na rotina da instituição, além de medidas adotadas pelo poder público para amparar os familiares das vítimas.
O ataque aconteceu durante a tarde, quando um adolescente de 13 anos, aluno da própria escola, entrou armado e efetuou disparos contra quatro pessoas. As inspetoras de corredor Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, conhecida como “Tia Zena”, e Raquel Sales Feitosa, de 37, morreram no local. Uma estudante de 11 anos e outra funcionária também foram atingidas e encaminhadas ao Pronto-Socorro de Rio Branco pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
LEIA TAMBÉM: Instituto São José instala detector de metais 3 meses após ataque
Após os disparos, o adolescente deixou a escola e foi até o Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar do Acre (PMAC), localizado nas proximidades da instituição, onde se entregou. A arma utilizada no ataque, segundo as informações divulgadas na época, pertencia ao padrasto do adolescente. O homem chegou a ser preso e levado à Delegacia de Flagrantes (Defla), mas acabou liberado posteriormente após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
Poucas horas depois da tragédia, moradores se reuniram em frente ao Instituto São José para prestar homenagens às vítimas. Velas foram colocadas ao longo do muro da escola, enquanto pessoas fizeram orações e permaneceram em silêncio diante do local onde o ataque havia acontecido.
Alzenir trabalhava havia décadas no Instituto São José e era conhecida entre alunos, funcionários e famílias. Raquel fazia parte da equipe da instituição havia cerca de três anos. As duas foram veladas e sepultadas no dia seguinte ao crime. Alzenir foi velada na residência da mãe, no bairro Cidade Nova, e sepultada no Cemitério São João Batista. Raquel foi velada na Capela São João Batista e enterrada no Cemitério Morada da Paz.
Pouco mais de um mês após o ataque, em 15 de junho de 2026, Alzenir e Raquel também foram homenageadas durante a cerimônia que marcou os 64 anos do Acre. As duas receberam, in memoriam, a insígnia no Grau de Cavaleiro da Ordem da Estrela do Acre, uma das honrarias concedidas durante a solenidade.
Homenagem emocionou familiares e público durante a solenidade dos 64 anos do Acre/Foto: Sophia Sobralino/Orna Audiovisual
Homenagem emocionou familiares e público durante a solenidade dos 64 anos do Acre/Foto: Sophia Sobralino/Orna Audiovisual
Os familiares das vítimas receberam as condecorações em nome das duas servidoras. A homenagem reconheceu a trajetória de Alzenir e Raquel e preservou a memória das funcionárias, em um dos momentos mais emocionantes da celebração dos 64 anos do estado.
Com o retorno das atividades no segundo semestre, a escola passou a adotar novas medidas de segurança. O Instituto São José instalou portões eletrônicos com detectores de metais na entrada, alterando a rotina de acesso dos estudantes e funcionários. A mudança foi comunicada aos pais e responsáveis, que também receberam orientações para verificar as mochilas antes da ida dos alunos à instituição.
A escola passou a recomendar que os estudantes evitem levar objetos metálicos desnecessários, como bottons, chaveiros, tesouras e materiais com adornos de metal, que podem acionar os detectores e contribuir para a formação de filas na entrada. A orientação é que sejam levados apenas os materiais necessários para as atividades escolares.
Além das mudanças na escola, o poder público também adotou uma medida voltada às famílias das vítimas. Em julho, foi sancionada a Lei nº 4.816, que criou uma indenização especial para os dependentes das duas funcionárias mortas no ataque.
A legislação prevê o pagamento de R$ 100 mil por vítima, em parcela única. O benefício poderá ser destinado ao cônjuge ou companheiro, filhos menores de 21 anos ou pessoas com invalidez, deficiência ou incapacidade. Na ausência desses dependentes, os pais que comprovadamente dependiam economicamente das vítimas também poderão ter direito ao valor.
Quando houver mais de um beneficiário habilitado, a quantia deverá ser dividida igualmente. O pagamento está previsto para ocorrer até 31 de janeiro de 2027, mas poderá ser antecipado ainda em 2026 caso haja disponibilidade orçamentária e os dependentes estejam devidamente habilitados.
Cinco meses depois da tragédia, o Instituto São José mantém uma rotina diferente daquela existente antes do ataque. Os equipamentos de segurança passaram a fazer parte da entrada da escola e novas orientações foram incorporadas ao dia a dia dos estudantes. Para as famílias de Alzenir e Raquel, porém, as mudanças não apagam a perda das duas funcionárias, que tiveram as vidas interrompidas dentro do ambiente onde trabalhavam.