Estudo aponta bairros de Rio Branco que estão em área de risco; veja quais
Um levantamento inédito apresentado nesta quarta-feira (5) revelou que Rio Branco possui 87 áreas classificadas com risco geológico e hidrológico, onde vivem cerca de 44 mil pessoas. O diagnóstico faz parte do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) em parceria com o Ministério das Cidades e com apoio da Defesa Civil Municipal.
O documento reúne um amplo mapeamento das áreas sujeitas a inundações, deslizamentos, erosão fluvial e rastejo de solo, além de apresentar propostas de intervenções para reduzir os riscos e orientar o planejamento urbano da capital acreana. O plano foi apresentado à população durante audiência pública.
Ao todo, foram identificados 87 setores de risco, distribuídos em três níveis de gravidade. Desses, 14 são considerados de risco muito alto, 51 de risco alto e 22 de risco médio. Segundo o levantamento, aproximadamente 11 mil imóveis estão localizados nessas áreas, onde vivem cerca de 44.068 pessoas.
Do total de moradores em áreas de risco, cerca de 35,9 mil vivem em setores classificados como de risco alto, enquanto outros 3,5 mil estão em locais de risco muito alto, considerados os mais críticos.
O estudo aponta que as inundações representam quase 60% dos processos de risco identificados em Rio Branco. As áreas afetadas estão, principalmente, associadas às cheias recorrentes do Rio Acre e de seus afluentes. O relatório relembra que eventos extremos registrados em 2012, 2015, 2023 e 2024 contribuíram para agravar esse cenário.
Entre os bairros mais afetados estão Cidade Nova e Quinze, que concentram mais de 7,4 mil moradores em áreas classificadas como de risco alto. Na sequência aparecem Taquari, com aproximadamente 5,2 mil pessoas vivendo em diferentes setores de risco, o bairro 6 de Agosto, com cerca de 4,5 mil moradores, e o Recanto dos Buritis, que reúne aproximadamente 3,5 mil pessoas em áreas mapeadas.
Os setores classificados como de risco muito alto estão localizados nos bairros Dom Giocondo, Novo Horizonte, 6 de Agosto, Taquari e na região do Igarapé da Judia, nas proximidades da Avenida Durval Camilo.
Já as áreas de risco alto abrangem bairros como Mocinha Magalhães, Aeroporto Velho, Palheiral, Volta Seca, Boa Vista, João Paulo II, Sobral, Laélia Alcântara, Calafate, Taquari, Panorama, Jardim Tropical, Centro, Placas, Cidade Nova, Quinze, Recanto dos Buritis, Santa Inês, Comara, entre outros.
O levantamento destaca que um mesmo bairro pode aparecer em diferentes categorias, já que a classificação considera cada setor individualmente, de acordo com suas características geológicas, hidrológicas e o grau de vulnerabilidade das ocupações.
Conforme o PMRR, áreas de risco médio exigem monitoramento constante para evitar o agravamento dos problemas. Já os setores classificados como de risco alto apresentam maior frequência de inundações ou sinais evidentes de instabilidade, oferecendo potencial para danos materiais significativos e risco à vida.
Nas áreas de risco muito alto, a situação é considerada crítica. O estudo aponta recorrência elevada de inundações com alto potencial destrutivo ou processos avançados de instabilidade do terreno, como rachaduras, trincas e cicatrizes de deslizamentos, indicando risco iminente à população e necessidade de intervenções imediatas.
Os levantamentos foram realizados em três etapas de campo, entre junho e setembro de 2025 e fevereiro de 2026, com participação de pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil, técnicos da Defesa Civil e representantes das comunidades. Em uma segunda fase, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) revisou os setores classificados como de risco alto e muito alto para elaborar propostas de obras e intervenções destinadas à redução dos riscos.
Embora apresente um diagnóstico detalhado e sugestões de medidas, o PMRR não determina a execução das ações. Caberá à Prefeitura de Rio Branco definir as prioridades, buscar recursos e implementar as intervenções necessárias para reduzir a vulnerabilidade das áreas identificadas.
| Grau de risco | Áreas mapeadas | Imóveis em áreas de risco | Pessoas em áreas de risco |
| 🔴 Muito alto | 14 | 890 | 3.560 |
| 🟠 Alto | 51 | 8.981 | 35.924 |
| 🟡 Médio | 22 | 1.146 | 4.584 |
| Total | 87 | 11.017 | 44.068 |