Início / Versão completa
Destaque 2

Correios podem entrar em greve no Acre nesta sexta-feira; entenda

Por Folha de S.Paulo 11/09/2026 11:07
Publicidade

Os trabalhadores dos Correios no Acre vão decidir nesta sexta-feira (11) se irão aderir à greve por tempo indeterminado que já foi deflagrada pela categoria em diferentes estados do país. A assembleia está marcada para as 18h, quando os empregados acreanos vão votar sobre a paralisação.

Publicidade

A mobilização nacional começou às 22h de quinta-feira (10), após trabalhadores rejeitarem a proposta apresentada pela empresa nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho. Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), 35 assembleias haviam aprovado a greve até o início da paralisação.

LEIA TAMBÉM: Bancos paralisam no Acre e categoria decide se mantém greve

Agência dos Correios em Rio Branco/Foto: Reprodução

Publicidade

Entre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão a preservação do plano de saúde, manutenção dos empregos, adicional de férias, pagamento do repouso trabalhado, ticket extra e melhores condições de trabalho. A categoria também contesta a proposta econômica apresentada pela empresa, que prevê um acordo de dois anos com reposição da inflação, mas sem aumento real dos salários, segundo as entidades sindicais.

Outro ponto de preocupação é o modelo de reestruturação adotado pelos Correios. Os trabalhadores afirmam que medidas como fechamento de agências, redução de distritos postais e diminuição de atendentes e postos de trabalho podem provocar sobrecarga entre os funcionários e prejudicar o atendimento à população.

A preocupação é ainda maior em municípios do interior e localidades onde os Correios exercem papel importante na prestação de serviços postais. Para os sindicatos, a redução da estrutura pode comprometer a chamada capilaridade da empresa, ou seja, a capacidade de manter atendimento em diferentes regiões do país, inclusive onde a operação apresenta menor retorno financeiro.

A categoria também rejeita a ideia de que os trabalhadores sejam responsabilizados pela situação financeira enfrentada pela estatal. Na avaliação dos sindicatos, os problemas estão relacionados a questões de gestão, investimentos, planejamento e modernização da empresa, além das próprias características dos Correios como empresa pública.

A categoria também defende que os Correios avancem na modernização tecnológica. Os trabalhadores afirmam que a empresa precisa investir em novos sistemas, equipamentos, infraestrutura logística, automação e qualificação profissional para melhorar a eficiência dos serviços e acompanhar as mudanças no setor.

Para os sindicatos, tecnologia e redução da estrutura não devem ser tratados como sinônimos. A avaliação é de que modernizar os Correios significa ampliar a capacidade operacional e oferecer melhores condições para os trabalhadores, e não simplesmente fechar agências, diminuir postos de trabalho ou reduzir a presença da empresa em determinadas localidades.

Os trabalhadores defendem ainda investimentos em inovação e novos serviços para tornar a estatal mais competitiva diante das empresas privadas. Na avaliação da categoria, os avanços tecnológicos devem servir para fortalecer a empresa pública, melhorar o atendimento à população e facilitar o trabalho dos empregados.

Para a categoria, o fechamento de unidades e a redução de postos de trabalho não representam modernização, mas diminuição da estrutura da empresa.

As entidades sindicais também cobram maior participação do Governo Federal nas discussões sobre o futuro dos Correios. Segundo os trabalhadores, a empresa possui uma função social que vai além da busca por lucro, já que precisa manter serviços em todo o território nacional e atender regiões que podem não ser consideradas economicamente atrativas para empresas privadas.

A greve ocorre ainda em meio à crise financeira enfrentada pelos Correios. A estatal registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre e solicitou ao Tesouro Nacional garantia para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com quatro bancos privados. A operação ainda está em análise.

Apesar da paralisação já iniciada em outros estados, os Correios afirmam que estão adotando medidas para reduzir possíveis impactos nos serviços, como remanejamento de equipes, reforço das atividades operacionais e ações logísticas para manter as entregas.

A empresa também sustenta que apresentou uma proposta que contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente, incluindo reajuste correspondente a 100% do INPC sobre salários e benefícios e manutenção da assistência à saúde.

No Acre, a definição sobre a adesão ao movimento ficará para a assembleia das 18h desta sexta-feira. Até lá, os trabalhadores acreanos ainda não fazem parte oficialmente da paralisação nacional. A decisão tomada pelos trabalhadores do Acre nesta sexta-feira vai definir se o estado também terá adesão à greve por tempo indeterminado.

Conteúdo Original / Fonte: Folha de S.Paulo
Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site