Trânsito mata quase tanto quanto a violência criminosa no Acre em 2026

Acidentes igualaram número de homicídios em janeiro e quase repetiram marca em maio

Por Everton Damasceno, ContilNet 16/06/2026 às 17:00
Trânsito rivaliza com criminalidade e registra 35 mortes em cinco meses no Acre/Foto: IA

Embora os homicídios continuem sendo um dos principais indicadores de violência no Acre, os acidentes de trânsito vêm chamando atenção por outro motivo: o número de vidas perdidas nas ruas e rodovias do estado já se aproxima das mortes provocadas por crimes violentos.

Dados dos boletins estatísticos da Polícia Civil mostram que, entre janeiro e maio de 2026, o Acre registrou 61 homicídios e 35 mortes decorrentes de acidentes de trânsito. Na prática, isso significa que o trânsito foi responsável por um volume de vítimas equivalente a 57% do total de assassinatos registrados no período.

O levantamento revela ainda que, em dois dos cinco meses analisados, as mortes no trânsito praticamente igualaram ou chegaram ao mesmo patamar dos homicídios, evidenciando que o problema vai além da criminalidade e se tornou uma questão de saúde e segurança pública.

Trânsito mata quase tanto quanto a violência criminosa no Acre em 2026

Enquanto homicídios caem, mortes no trânsito voltam a disparar no Acre/Foto: Reprodução

Em janeiro, por exemplo, foram registrados 11 homicídios e exatamente 11 mortes em acidentes de trânsito. Naquele mês, o número de pessoas que perderam a vida em colisões, atropelamentos e outros acidentes foi igual ao total de vítimas de assassinatos em todo o estado.

Em fevereiro, os homicídios chegaram a 15 ocorrências, enquanto o trânsito causou cinco mortes. Em março, foram contabilizados 14 assassinatos e sete vítimas fatais em acidentes. Já abril apresentou os menores índices do ano para o trânsito, com apenas duas mortes registradas, enquanto os homicídios somaram 12 casos.

O cenário voltou a preocupar em maio. Enquanto os homicídios caíram para 10 registros, o número de mortes no trânsito saltou para nove vítimas fatais, praticamente empatando os dois indicadores. O crescimento foi expressivo quando comparado ao mês anterior: as mortes em acidentes passaram de duas para nove, uma alta de 350%, enquanto os acidentes com vítimas fatais aumentaram de dois para 10 casos.

Comparativo mensal

Mês Homicídios Mortes no trânsito
Janeiro 11 11
Fevereiro 15 5
Março 14 7
Abril 12 2
Maio 10 9
Total 61 35

Fonte: Polícia Civil

Mais mortes que feminicídios e latrocínios

Os números mostram que o trânsito matou muito mais que outros crimes de grande repercussão social. Entre janeiro e maio, o Acre não registrou nenhum feminicídio consumado, segundo os boletins da Polícia Civil. No mesmo período, 35 pessoas morreram em acidentes de trânsito.

A comparação chama atenção porque, embora homicídios e feminicídios geralmente dominem o debate sobre violência, as mortes no trânsito seguem produzindo impacto semelhante ou superior ao de diversos crimes graves, muitas vezes sem receber a mesma atenção pública.

Tendência de queda dos homicídios

Outro aspecto observado nos boletins é que os homicídios apresentaram tendência de redução ao longo dos meses. Depois de atingir 15 casos em fevereiro, o número caiu para 14 em março, 12 em abril e 10 em maio.

Enquanto isso, os indicadores relacionados ao trânsito oscilaram bastante. Após iniciar o ano com 11 mortes, o número caiu nos meses seguintes, mas voltou a crescer fortemente em maio, demonstrando que o cenário permanece instável e exige atenção das autoridades responsáveis pela fiscalização e segurança viária.

Desafio além da segurança pública

Os dados reforçam que a redução da violência letal não depende apenas do combate ao crime organizado e aos homicídios. O trânsito também se mantém como uma das principais causas de mortes violentas no Acre.

Somente nos cinco primeiros meses do ano, mais de uma pessoa morreu por semana em acidentes de trânsito no estado. Em janeiro, as estradas e ruas acreanas foram tão letais quanto a própria violência criminosa. Já em maio, os números voltaram a se aproximar, evidenciando que o trânsito continua sendo um dos grandes desafios para a preservação de vidas no Acre.

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