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Ataques russos frustram nova tentativa de paz de Trump na Ucrânia

Por afonsobenites 13/09/2026 10:43
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Os acontecimentos desde que os Estados Unidos retomaram sua iniciativa de paz na Ucrânia dizem mais sobre as chances de sucesso do que a retórica otimista que a acompanha.

O presidente Donald Trump disse a repórteres na quarta-feira (9) que o presidente russo, Vladimir Putin, “quer fazer um acordo”. Ele acrescentou que, se o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, “quiser fazer um acordo, seria muito bom”.

Mas não há nada de bom na realidade da Europa Oriental.

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Na quarta-feira, um drone russo a jato violou o espaço aéreo da Moldávia e atrasou a decolagem de um avião que levaria Zelensky à Noruega.

E, depois que os enviados de Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, deixaram Kiev após uma visita para discutir um acordo de paz que se seguiu a uma viagem a Moscou, os mísseis e drones de Putin, na terça-feira (8), encerraram uma pausa de três dias nos ataques com uma nova ofensiva que matou cinco pessoas.

Após breve cessar-fogo, moradores de Kyiv acordam com ataque russo mortal. (08.09.26) • REUTERS

O incidente na Moldávia não pareceu representar uma ameaça direta a Zelensky — embora o embaixador do país nos EUA, Vladislav Kulminski, tenha dito ao jornalista Jim Sciutto, da CNN, que a incursão de um drone de vigilância russo provavelmente “não foi um acidente”.

Os ataques a Kiev, por sua vez, foram apenas o mais recente episódio do horror contínuo imposto aos civis.

Declarações desafinadas

Esses incidentes ressaltam a brutalidade de uma guerra que, segundo reportagem da CNN publicada na terça-feira, está custando à Rússia cerca de 40 mil soldados por mês, com base em avaliações de agências de inteligência ocidentais.

O conflito também demonstra uma nova e alarmante tendência de se expandir para além das fronteiras da Ucrânia, em meio ao crescente temor de um confronto entre a OTAN e a Rússia na Europa.

Portanto, qualquer esforço sério e sincero do governo Trump para retomar a diplomacia, depois de ter sua atenção desviada pela guerra no Irã, seria bem-vindo. Críticos do presidente zombam de suas afirmações hiperbólicas de ter encerrado múltiplas guerras. Mas uma paz justa na Ucrânia seria uma conquista monumental.

Ainda assim, os sinais públicos das reuniões da dupla diplomática americana com Putin e Zelensky oferecem pouca esperança de que os fatores arraigados que prolongaram a guerra por mais de quatro anos tenham se amenizado.

Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, se reúne com os enviados dos EUA Jared Kushner e Steve Witkoff (06.09.26) • REUTERS

Uma sequência de declarações e gestos desafinados também levanta dúvidas sobre a compreensão dos enviados americanos acerca da natureza da guerra, dos motivos da Rússia e de uma abordagem que se assemelha a uma negociação imobiliária que fracassou repetidamente.

Em Moscou, os comentários deferentes e elogiosos de Witkoff sobre Putin — incluindo a afirmação de que seus encontros seriam uma lembrança marcante para a aposentadoria — foram surpreendentes, considerando o ataque implacável do líder russo aos ucranianos e os alertas de aliados dos EUA sobre operações de sabotagem encobertas do Kremlin que ameaçam seus territórios.

Kushner falou posteriormente sobre a necessidade de encontrar uma situação de “ganha-ganha” tanto para Putin quanto para Zelensky, que os convencesse a parar de lutar.

Isso pode ser interpretado como o toque pragmático de um negociador que precisa levar cada lado a fazer escolhas desagradáveis em nome da paz.

Mas entregar uma “vitória” à Rússia validaria sua decisão de iniciar uma guerra ilegal e não provocada para destruir o território, a história e a cultura de um país vizinho.

Putin reafirmou que as “causas profundas” do conflito ainda precisam ser tratadas. Essa é uma forma usada pela Rússia para defender o fim da soberania da Ucrânia e sua desmilitarização, enquanto Moscou reivindica territórios nas províncias orientais que suas tropas ainda não conquistaram — condições que seriam impossíveis para Zelensky aceitar.

Putin critica apreensão de embarcações e ameaças contra aeroportos, afirmando que o Ocidente se torna “cúmplice do terrorismo internacional”. • REUTERS

Os comentários de Trump, por sua vez, refletem quase dois anos de avaliações equivocadas sobre uma guerra que só se agrava.

“O empecilho são duas pessoas que se odeiam”, disse ele a repórteres na Base Aérea de Andrews, em referência a Putin e Zelensky. A declaração ignorou os complexos fatores políticos e históricos citados pelo líder russo ao lançar a guerra.

“Eu entendo de negócios, e essas são duas pessoas cansadas de lutar. Pode acontecer”, afirmou Trump.

Apesar de seu otimismo, a perspectiva de uma diplomacia americana nova e eficaz parece tão ilusória quanto a promessa dos EUA de cumprir uma suposta oferta de Trump, feita no início do verão, de permitir que a Ucrânia produzisse sob licença interceptadores de mísseis Patriot.

Há também novas dúvidas sobre as motivações dos EUA, em meio à falta de transparência sobre o que exatamente aconteceu nas reuniões com Putin, realizadas em um contexto já marcado por profunda intriga em torno de uma recente visita à Rússia do diretor da CIA, John Ratcliffe.

Diversos vazamentos sugeriram que o chefe da inteligência americana alertou Moscou de que a guerra na Ucrânia estava indo mal para a Rússia e que nem pensasse em avançar sobre qualquer território da OTAN.

Mas é impossível saber ao certo o que está acontecendo entre Moscou e Washington — ou entre Putin e Trump, que tiveram uma conversa telefônica nesta semana.

O histórico do presidente dos EUA de elogiar o líder russo há muito tempo lança dúvidas sobre os motivos da administração em relação à Ucrânia.

Enquanto isso, a Rússia enviou sinais sobre futuras oportunidades econômicas entre os dois países, renovando os temores na Europa de que Trump esteja mais interessado em acordos — talvez relacionados a recursos minerais e naturais russos — do que em uma paz justa na Ucrânia.

E qualquer sensação de que os EUA são um mediador honesto foi abalada recentemente quando o secretário do Tesouro, Scott Bessent, atribuiu parcialmente os ataques da Ucrânia à infraestrutura russa, ao lado da guerra no Irã, como causa dos altos preços do petróleo.

A declaração reforçou a impressão de que os EUA enxergam a autodefesa da Ucrânia como um incômodo, e não como um direito legítimo.

“Uma conclusão aceitável para ambos os lados”

Na quarta-feira, o secretário de Estado Marco Rubio disse a repórteres na Colômbia que havia uma chance, nas próximas semanas, de “talvez chegar a uma conclusão que seja aceitável para ambos os lados”. Mas ele admitiu que ainda havia muito trabalho a ser feito.

A maioria das guerras termina eventualmente. E o terrível custo deste conflito para os dois lados pode, em algum momento, pesar nas negociações.

A Ucrânia não apenas sobreviveu, mas está demonstrando uma capacidade crescente de projetar força dentro da Rússia. Porém, a Rússia também fez avanços recentes no campo de batalha, informou a CNN na quarta-feira — embora suas cifras de baixas sejam tão extremas que até Putin pode ter de prestar atenção.

Poderia a dinâmica cambiante da guerra desbloquear uma flexibilidade que até agora tem sido esquiva?

Ou, mais provavelmente, os civis ucranianos estão destinados a mais um inverno frio e sangrento enquanto a Rússia bombardeia seus prédios residenciais e usinas de energia?

Um esforço genuíno de paz é urgentemente necessário, e o fato de Kushner e Witkoff terem visitado Kiev pela primeira vez durante a guerra na semana passada gerou algumas declarações favoráveis por parte do governo de Zelensky.

Mas há um padrão na diplomacia de Trump. Após consultas com Putin, Washington tende a apresentar uma proposta que reflete fortemente os objetivos da Rússia.

Quando Zelensky recua, a administração demonstra frustração, e versões subsequentes e enfraquecidas do plano tornam-se inaceitáveis para o Kremlin.

Enquanto isso não mudar, as esperanças em uma nova iniciativa dos EUA devem permanecer contidas.

Esse conteúdo foi publicado originalmente emVer original 


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites.

Conteúdo Original / Fonte: afonsobenites
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