BrasilAgro reduz prejuízo e projeta alta de 9% na safra de grãos
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A BrasilAgro encerrou o quarto trimestre do exercício de 2026 com recuperação do desempenho operacional, mas fechou o ano safra com prejuízo líquido de R$ 90 milhões, em contraste com o lucro de R$ 138 milhões registrado no exercício anterior.
O resultado foi impactado, principalmente, pela forte redução dos ganhos com venda de fazendas. Enquanto essa operação contribuiu com R$ 180,1 milhões para o resultado em 2025, o ganho caiu para R$ 2,1 milhões em 2026.
Sem considerar a venda de propriedades, porém, a operação agrícola apresentou melhora. O Ebitda ajustado operacional alcançou R$ 97,3 milhões no ano, alta de 11% em relação aos R$ 87,2 milhões do exercício anterior. No quarto trimestre, o indicador somou R$ 56,6 milhões, ante resultado praticamente zerado no mesmo período de 2025.
Segundo André Guillaumon, CEO da companhia, a melhora foi impulsionada pelo maior volume de soja comercializado e pela reversão no resultado das operações de derivativos.
Em 2025, essas operações haviam gerado perda de R$ 12,3 milhões. Em 2026, passaram a representar ganho de R$ 27,3 milhões, com destaque para as operações de hedge de soja, algodão e milho.
Bom desempenho em grãos e retração na cana
A receita líquida operacional cresceu 2% no ano e chegou a R$ 891,7 milhões. A expansão foi sustentada principalmente pelas vendas de soja, cuja receita avançou 22%, e de milho, com alta de 52%. Na direção contrária, a receita com cana-de-açúcar recuou 39%, refletindo a menor quantidade comercializada.
No quarto trimestre, a receita operacional aumentou 12%, para R$ 255,9 milhões, com forte avanço da soja. A receita da cultura cresceu 76%, para R$ 167,4 milhões, após a companhia concentrar a comercialização de estoques no fim do exercício.
Safra 2026/27 terá área menor, mas produção maior
Para a próxima safra, a BrasilAgro adotou uma estratégia mais seletiva diante da perspectiva de um El Niño de forte intensidade.
A companhia pretende concentrar investimentos em culturas e regiões consideradas mais resilientes e com melhor relação entre risco e retorno.
A área total estimada para a safra 2026/27 é de 165,2 mil hectares, queda de 1% em relação aos 167 mil hectares da safra anterior.
Apesar da ligeira redução da área, a produção de grãos e algodão é estimada em 452,9 mil toneladas, crescimento de 9%.
A produção de soja deve alcançar 259,1 mil toneladas, alta de 6%. Para o milho de primeira safra, a estimativa é de 85,3 mil toneladas, avanço de 17%, enquanto a produção de milho safrinha deve crescer 22%, para 96,1 mil toneladas.
A estratégia prevê redução de 70% na área de algodão de primeira safra e a saída do cultivo de feijão safrinha.
Por outro lado, a empresa projeta aumento de 22% na área de milho de primeira safra, avanço de 36% no algodão safrinha, concentrado principalmente em áreas irrigadas, e expansão de 21% nas áreas de pastagem.
Na pecuária, a companhia estima crescimento de 62% na produção de carne, para 2,36 milhões de quilos. O número de cabeças deve aumentar 36%, para 15,6 mil animais, com expansão das áreas de pastagem.
Portfólio de terras
A companhia também registrou valorização de seu portfólio imobiliário. Em 30 de junho de 2026, o valor de mercado das propriedades foi estimado internamente em R$ 3,34 bilhões, alta de 8,2% em relação à safra anterior.
Do aumento de R$ 252,2 milhões, cerca de R$ 143,2 milhões vieram da valorização das mesmas áreas.
Outros R$ 109 milhões estão relacionados à retomada de 4.092 hectares da Fazenda Rio do Meio, após o distrato de um contrato de venda.
“A consolidação das áreas e a incorporação de áreas irrigadas na Bahia foram os principais fatores de valorização. As fazendas Arrojadinho e Jatobá responderam juntas por cerca de dois terços desse avanço”, explica Guillaumon.
O portfólio da companhia reúne 257,1 mil hectares distribuídos em seis estados brasileiros, além de propriedades na Bolívia e no Paraguai.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por lucianafranco.