É triste falta de profundidade do debate fiscal, diz Luiz Parreiras
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A eleição à Presidência do Brasil de 2026 adiciona um fator de risco relevante a um ano já marcado pela volatilidade e por grandes eventos, diz o gestor da Estratégia Multimercado e Previdência da Verde Asset, Luiz Parreiras.
Segundo ele, a incerteza em relação a um ajuste das contas públicas, somada às questões externas, tem pressionado as expectativas no País e o desafio fiscal continuará no centro do debate, independentemente do resultado das urnas.
“Como brasileiro, é triste constatar que não existe nenhum grau de profundidade nessa discussão, que é tão crucial”, afirma, em entrevista ao Capital Insights, programa produzido pela parceria entre a Broadcast e o CNN Money, desta quinta-feira (3).
Parreiras diz que o governo atual, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tenta sinalizar de uma maneira muito tênue que adotará uma política fiscal mais responsável, mas pondera: “tem três anos e meio de governo em que ele tem sistematicamente jogado contra a própria política”, referindo-se à retirada de despesas da regra do arcabouço fiscal.
“A credibilidade das promessas futuras do governo atual em relação ao fiscal é razoavelmente baixa.”
Do lado adversário, o gestor afirma que, especialmente na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), vê busca por uma sinalização de uma política fiscal mais responsável, “mas com muito pouco detalhamento”.
“Eu diria que o mercado tende a dar mais credibilidade para as candidaturas de direita, em termos de política fiscal, sem ter muito detalhe, enquanto tende a dar menos credibilidade para as declarações da candidatura à reeleição do Lula pela política que ele realizou aqui nos últimos três anos e meio.”
E resume: “O País vai precisar enfrentar o desafio fiscal no dia seguinte às eleições”.
Segundo Parreiras, o mercado não precifica um ajuste muito profundo, mas também não está precificando uma deterioração adicional. Na Verde Asset, o time parte da premissa de uma eleição “extremamente competitiva”, com probabilidade próxima de 50% “pensando em Lula contra Flávio”, e busca assimetrias no portfólio.
Ele dá o exemplo da Bolsa: “se Lula se reelege, há pouco a perder, mas se a direita ganha a eleição, há possibilidade de uma alta importante”, com uso de opções para explorar esse cenário.
Em relação ao risco de deterioração adicional caso o atual presidente se reeleja, ele rememora o episódio do fim de 2024: o governo anunciou um pacote de ajuste fiscal acompanhado da isenção de Imposto de Renda a quem ganhava até R$ 5.000 mensais, quando o dólar bateu R$ 6,30.
“Existem maneiras de fazer proteção, com algum grau de sofisticação, que se beneficiam caso, em vez de falar de ajuste fiscal, venha a falar de transporte público gratuito para todos.”
Já na renda fixa pré-fixada, o gestor tem evitado ter posições pela incerteza da eleição.
A política monetária, para o gestor, está amarrada ao fiscal. Ele resume a dinâmica recente ao afirmar que o governo Lula opera com “aceleração fiscal e freio monetário”.
“Se tirar o acelerador fiscal, dá para tirar o freio monetário”, diz. Parreiras estima que a Selic deve “parar entre 13,75% e 13,5%”.
A oscilação dos juros ajuda a explicar por que, nos últimos cinco anos, o investidor em fundos multimercados voltou ao conservadorismo. Ele defende equilíbrio entre o conservadorismo e o risco.
No cenário externo, Parreiras aponta que a guerra entre Estados Unidos e Irã foi um “divisor de águas” em vários mercados e diz que o conflito segue como fator de incerteza, com impacto sobre petróleo e inflação.
Para tentar separar “sinal de ruído” num ambiente tão carregado, ele diz que análise, pesquisa e informação são fundamentais, mas ressalta que a Verde Asset busca entender não apenas a informação, e sim “os incentivos” por trás dela.
Nesse sentido, avalia que Trump “não quer uma guerra que não termine”, enquanto o petróleo alto “atrapalha o governo americano”.
Do lado iraniano, o fechamento do Estreito de Ormuz teria sido uma “alavanca”, embora “o poder da alavanca vá ficando menor” à medida que países buscam alternativas à passagem.
Para o gestor, “existem incentivos para o fim da guerra nos dois lados”, o que aponta para uma solução – ainda que “imperfeita”.
Por fim, Parreiras cita oportunidades em tecnologia. Ele afirma que “não há bolha” em inteligência artificial, embora possa haver “erros”, e diz que a Verde Asset está “animada” com o tema.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por joaonakamura.