23/08/2026

Entenda a votação que pode levar a Islândia a integrar a União Europeia

Por CNN Brasil

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O referendo da Islândia, marcado para 29 de agosto, sobre a abertura de negociações de adesão à União Europeia é apenas o primeiro de vários passos no plano do governo — favorável à União Europeia — de conduzir a nação insular em direção à adesão ao bloco.

Espera-se uma disputa acirrada, com pesquisas de opinião mostrando um empate técnico entre aqueles que querem que a Islândia negocie a entrada no bloco e os opositores, que defendem que o país do Atlântico Norte permaneça independente.

Esta votação é sobre a adesão à União Europeia?

Não. O referendo trata apenas de decidir se haverá negociações com a União Europeia. Se os islandeses votarem “sim”, isso desencadeará um processo de dois ou mais anos de negociações com Bruxelas, seguido por um segundo referendo, possivelmente em 2028, sobre a adesão efetiva ao bloco.

O que acontece se a Islândia votar “não”?

O governo apresenta seu plano de adesão como um momento de “agora ou nunca”. A primeira-ministra Kristrun Frostadottir disse aos eleitores, em agosto, que um “não” encerraria de vez as especulações sobre a entrada na União Europeia.

O que a Islândia ganharia ao entrar na União Europeia?

Bandeiras da UE do lado de fora da Comissão Europeia, em Bruxelas • REUTERS/Yves Herman

Os defensores afirmam que a adesão ajudaria a Islândia a impulsionar sua economia, a negociar em pé de igualdade com parceiros comerciais maiores e a enfrentar a disputa geopolítica no Ártico sob a presidência americana de Donald Trump, — que já declarou querer exercer controle sobre a ilha vizinha da Groenlândia.

O país passaria a integrar a união aduaneira da União Europeia, uma área de comércio livre de tarifas internas e com tarifas externas comuns para mercadorias provenientes de fora do bloco.

O país poderia adotar o euro, substituindo a volátil coroa islandesa, numa tentativa de controlar a inflação e o custo de vida elevado, além de reduzir as taxas de juros.

A Islândia passaria a integrar os órgãos decisórios do bloco, incluindo o braço executivo da união (a Comissão Europeia), bem como o Parlamento Europeu (eleito diretamente) e o Conselho Europeu (onde se reúnem os chefes de Estado e de governo).

Quais são os argumentos contra a adesão à União Europeia?

A oposição argumenta que a adesão transferiria poder e influência para Bruxelas e não fortaleceria, por si só, a segurança da Islândia.

O setor pesqueiro — pilar da economia islandesa e símbolo da identidade nacional — teme que a gestão conjunta de recursos, sob a Política Comum de Pesca da União Europeia, abra caminho para a presença de embarcações estrangeiras em águas islandesas. Ao manter sua própria moeda, a coroa, a Islândia preservaria um amortecedor contra as oscilações econômicas, permitindo que a moeda se desvalorizasse frente ao euro e ao dólar durante períodos de retração e se valorizasse quando a economia do país apresentasse bom desempenho.

Por que agora? E quem é a favor e quem é contra?

Reykjavik abandonou as negociações de adesão ao bloco em 2013 — quatro anos após ter solicitado a entrada —, quando um governo eurocético assumiu o poder. Desde então, o aumento do custo de vida e a guerra na Ucrânia reacenderam o interesse público em retomar a discussão sobre o assunto.

A coalizão governista de centro-esquerda formada em 2024 concordou em submeter a votação a questão das negociações de adesão à União Europeia, por iniciativa do Vidreisn, o partido mais favorável ao bloco.

O Partido Social-Democrata, ao qual pertence Frostadottir, também defende a adesão à União Europeia, mas tem adotado uma postura mais discreta; já o terceiro partido da coalizão, o Partido do Povo, opõe-se categoricamente à entrada no bloco.

O Partido da Independência, da oposição e liderado por Gudrun Hafsteinsdottir, encabeça a campanha pelo “não”.

O que a União Europeia ganha com isso?

A inclusão da Islândia no bloco ampliaria a presença da UE no Ártico, em um momento em que a região se torna um foco crescente de disputa entre grandes potências.

A nação insular, que faz parte da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), mas sem exército próprio, está situada em um trecho do oceano conhecido como “lacuna GIUK” (Groenlândia-Islândia-Reino Unido), um dos pontos de estrangulamento estrategicamente mais vitais do Atlântico Norte para o controle de movimentações navais russas.

Além disso, a integração da Islândia seria mais simples do que a de outras nações que atualmente discutem a adesão, exigindo menos reformas do que as necessárias para a Ucrânia ou para os países dos Bálcãs Ocidentais; trata-se, portanto, de um caso raro em que o processo de adesão poderia avançar com relativa rapidez.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por tomasbraga.

Conteúdo Original / Fonte: tomasbraga

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