Frisa registra prejuízo de R$ 264,6 milhões em 2025
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A Frisa encerrou 2025 com prejuízo líquido de R$ 264,6 milhões, revertendo o lucro de R$ 9 milhões registrado no ano anterior, segundo as demonstrações contábeis auditadas da companhia, referentes ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025 e emitidas pela Grant Thornton em julho de 2026.
No resultado consolidado, a receita operacional líquida somou R$ 2,44 bilhões, queda de 4,2% em relação aos R$ 2,33 bilhões registrados em 2024. Na operação individual da companhia, a receita líquida foi de R$ 2,17 bilhões, ante R$ 2,08 bilhões no ano anterior.
O desempenho foi afetado por um ambiente considerado adverso pela administração da empresa. Entre os principais fatores apontados está a suspensão temporária das exportações de carne bovina para a China pela unidade de Nanuque, em Minas Gerais, importante mercado consumidor e principal destino das exportações de carne bovina da companhia.
Segundo a Frisa, a interrupção afetou diretamente os volumes comercializados, pressionou as margens e exigiu mudanças na estratégia comercial e na estrutura operacional.
A companhia também citou o impacto das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre a carne bovina brasileira, que aumentaram a competitividade nos mercados internacionais e afetaram as margens e o fluxo comercial.
Outro fator apontado foi a valorização do real frente ao dólar, que reduziu a competitividade das exportações e prejudicou a geração de receitas em moeda estrangeira. Ao mesmo tempo, a manutenção de juros elevados aumentou o custo de capital e pressionou as despesas financeiras.
O lucro bruto consolidado caiu de R$ 295,2 milhões em 2024 para R$ 187 milhões em 2025. Já o resultado operacional passou de lucro de R$ 94,9 milhões para prejuízo de R$ 187,7 milhões.
As despesas financeiras consolidadas aumentaram de R$ 154,2 milhões para R$ 222,1 milhões no período. As receitas financeiras, por sua vez, avançaram de R$ 70,4 milhões para R$ 147,2 milhões.
Reestruturação
Diante do cenário, a Frisa adotou medidas para preservar a liquidez e reduzir custos. Entre elas está a paralisação das atividades de abate e desossa da unidade de Colatina, no Espírito Santo.
Parte dos colaboradores foi realocada para a fábrica de produtos processados, segmento que, segundo a administração, apresenta demanda crescente e maior geração de margem.
A companhia também promoveu revisão de processos internos, adequação dos níveis de produção à demanda, otimização da estrutura de custos e revisão do modelo de negócios e da estratégia comercial.
De acordo com as informações do comunicado, a prioridade passou a ser o crescimento das vendas de produtos processados e de maior valor agregado, como forma de melhorar as margens e fortalecer a geração de resultados.
Diferença em estoques
As demonstrações também registram uma diferença nos estoques de insumos para alimentação do gado da Frisa Agropecuária, subsidiária integral da companhia.
A divergência foi identificada durante inventário físico realizado por uma empresa especializada e foi integralmente reconhecida no resultado de 2025, com a adequação dos saldos contábeis aos estoques efetivamente existentes.
A administração informou ter adotado medidas para reforçar os controles de inventário, incluindo revisão dos procedimentos de contagem, maior controle sobre a movimentação dos estoques, melhorias nos sistemas e realização de inventários periódicos.
Na área financeira, a companhia também informou ter negociado com instituições credoras o alongamento do endividamento, com o objetivo de adequar o fluxo de caixa às necessidades operacionais e atravessar o período de maior volatilidade.
A empresa afirmou ainda ter implementado políticas de gestão de riscos financeiros e de provisão para devedores duvidosos, buscando reduzir a exposição aos riscos da atividade.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por andressasimao.