Governo negocia restrições e busca manter exportações de carnes à UE
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O governo federal intensificou as negociações com a União Europeia para evitar impactos nas exportações brasileiras de proteínas animais, após o bloco retirar o Brasil da lista de países autorizados a embarcar esses produtos para o mercado europeu a partir de 3 de setembro. A decisão está relacionada às regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
Durante o Siavs (Salão Internacional de Proteína Animal), em São Paulo, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que a prioridade do governo é assegurar a continuidade dos embarques das cadeias com ciclo produtivo mais curto, como a avicultura.
“Estamos focados para que os efeitos não possam chegar às cadeias cujo ciclo é menor e, portanto, tenham condições de seguir fornecendo o nosso produto já no início de setembro”, afirmou.
O ministro ressaltou que o governo também busca reverter a exclusão dos produtos brasileiros da lista europeia e classificou a medida como “inaceitável”.
André de Paula também destacou que o governo mantém negociações para ampliar o acesso da proteína brasileira a novos mercados.
O Presidente da ABPA, Ricardo Santin, também chamou atenção para o acordo entre Mercosul e União Europeia, defendendo que as cotas destinadas às proteínas brasileiras resultem em acesso efetivo aos mercados, sem barreiras técnicas que prejudiquem a competitividade do setor.
Entre as prioridades do ministério está a abertura da Coreia do Sul para a carne bovina do Brasil. Segundo o ministro, a expectativa é positiva após o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, em Brasília.
Outra frente de negociação envolve a carne suína. Atualmente, a Coreia do Sul importa apenas carne produzida em Santa Catarina, e o objetivo do governo é ampliar essa habilitação para frigoríficos do Rio Grande do Sul.
Na inauguração do estande da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) no Siavs, o ministro da Agricultura e Pecuária, destacou a parceria entre o governo e o setor privado para ampliar a presença da proteína animal brasileira no mercado internacional.
“O nosso trabalho é estar ao lado de quem produz e de quem exporta. Estamos trabalhando em conjunto para abrir novos mercados e exportar um produto de altíssima qualidade, reconhecido no mundo inteiro”, afirmou.
O ministro também ressaltou a evolução do Siavs, que passou de um evento dedicado aos setores de aves e suínos para reunir toda a cadeia de proteína animal do país.
O presidente da ABIEC, Roberto Perosa, afirmou que a entidade está apoiando o Ministério da Agricultura nas tratativas com a União Europeia para buscar um período de transição que permita a continuidade das exportações durante a adaptação às novas exigências.
“Estamos apoiando o governo com informações para que consiga um prazo adicional e possamos manter o fluxo comercial”, disse.
Segundo Perosa, a proposta europeia rompe com a prática adotada nas negociações sanitárias internacionais.
“Normalmente, primeiro se firma o acordo e depois ele é colocado em prática. O que a União Europeia está propondo é que todo o ciclo pecuário seja cumprido antes da formalização do acordo para que as exportações sejam retomadas. Não concordamos com essa lógica, mas vamos acompanhar as negociações do Ministério para restabelecer o fluxo comercial o mais rapidamente possível”, concluiu.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Kaique Cangirana.