“Grato ao meu irmão”: Zezé Di Camargo & Luciano refletem sobre fraternidade
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Há 35 anos, Zezé Di Camargo e Luciano inauguraram uma das parcerias mais marcantes da música sertaneja. Ao longo das décadas, os irmãos atravessaram diferentes fases do gênero, colecionaram sucessos e se tornaram referência para novas gerações. Nos últimos anos, porém, os dois também passaram a investir em projetos individuais — movimento que naturalmente levantou questionamentos sobre os rumos da dupla.
Em entrevista à CNN Brasil durante passagem no festival estrelado “Histórias – O Show do Século”, em São Paulo, os dois destacaram que, independentemente dos caminhos profissionais escolhidos por ambos, existe um vínculo que precisa estar acima de qualquer projeto: a irmandade.
Luciano exaltou a gratidão que sente pelas décadas de trabalho construído ao lado de Zezé.
“Sou muito grato ao meu irmão, porque dividimos palco já há 35 anos. E grato a esse público maravilhoso que faz com que Zezé Di Camargo e Luciano sejam o que são”, afirmou.
Zezé Di Camargo resumiu o atual momento dos dois como uma fase de “respeito mútuo”. “A gente está nesse momento, nessa coisa bacana de respeito mútuo, que é o mais importante da vida da gente.”
“As coisas vêm, acontecem, tudo tem um tempo. Tem começo, meio e fim. Não quer dizer que a gente está no fim, mas a gente tem que entender que cada um tem que ter o seu momento, a sua hora”, seguiu explicando a primeira voz.
Segundo Zezé, o respeito e o carinho entre os irmãos não dependem necessariamente de os dois estarem dividindo o mesmo palco. “Quando você coloca a irmandade na frente, o amor um pelo outro, independentemente de cantarmos juntos ou não, ou de estarmos vivendo um momento profissional juntos ou não, eu acho que a irmandade, o respeito, o carinho um pelo outro, o amor, como um todo, têm que existir”, disse.
Para ele, saber respeitar essa individualidade é justamente uma forma de preservar a relação entre os dois.
“É igual a um casamento, um relacionamento. O outro tem que respeitar o momento. Tem hora que você quer ficar sozinho, pensando na sua vida, ele também. É hora da gente respeitar o momento do outro”, disse.
Zezé tem se dedicado também a projetos individuais, enquanto Luciano ampliou sua atuação na música gospel. Para Zezé, a situação faz parte de um processo natural. “Acho que nós construímos uma história muito bonita”, concluiu.
35 anos aprendendo com o sertanejo
Ao olhar para a própria trajetória, Luciano também destacou que a dupla passou por diferentes momentos do sertanejo e que cada fase trouxe algum aprendizado.
“São 35 anos e todas as fases de Zezé Di Camargo e Luciano, dentro da música sertaneja, a gente viveu muito bem. Eu, antes de tudo, quis aprender com todas elas”, contou.
O cantor afirmou que sempre buscou observar artistas que apresentavam novidades, inclusive dentro da própria técnica vocal.
“Sempre que eu via alguém trazendo algo diferente, principalmente cantando de segunda voz, eu ia lá, ouvia e falava: ‘Eu quero fazer igual, eu quero aprender e fazer igual’”, relembrou.
“Independentemente das fases que eu e meu irmão vivemos dentro do sertanejo, o mais importante é o aprendizado que você tira delas. Tanto o aprendizado por bem quanto o aprendizado com os erros, que você fala: ‘Poxa, eu não quero mais praticar esses erros’”, afirmou.
Em um festival que reúne grandes nomes e diferentes gerações do sertanejo, Luciano também refletiu sobre o lugar que a dupla ocupa na história do gênero.
A única coisa que não pode passar é a soberba”, ressaltou. “Quando eu olho para essa grandiosidade, fazer parte dessa história, eu só não posso olhar com soberba, eu só posso olhar com gratidão.”
Sobre “Histórias – O Show do Século”
Além da dupla e do cantor Daniel, o festival em SP, realizado no dia 22 de agosto, contou com outras performances de grandes estrelas do sertanejo: Chitãozinho e Xororó, César Menotti e Fabiano, Victor e Leo e Matogrosso e Mathias. Ao todo, 50 mil pessoas acompanharam mais de nove horas de apresentações.
Matogrosso e Mathias abriram o festival, por volta das 14h30, seguidos por Victor e Leo, Daniel, Chitãozinho e Xororó e Os Menottis. Após se apresentar, Fabiano Menotti prestigiou os ídolos Zezé e Luciano e assistiu ao show do palco, dando uma palinha em “Como um Anjo”. Ficou com Zezé e Luciano a missão de mais um ano encerrar a edição paulista do “Histórias”.
A turnê passa ainda por Belo Horizonte (12 de setembro), Cuiabá (26 de setembro) e Curitiba (14 de novembro).
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por nicolybastos.