23/08/2026

Povos Katxuyana e Kahyana contam retomada de território pela arte

Por Agência Brasil

© Woltaire Masaki/Divulgação

Versão em áudio

A história de retomada dos territórios pelos povos indígenas Katxuyana e Kahyana estará em exposição a partir do dia 25 deste mês no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém. A mostra Katxar kum neero | Nossos lugares verdadeiros reúne fotografias, relatos e artefatos produzidos pelos povos desde 1960.

São memórias e patrimônios dispersados pelo tempo quando parte dos indígenas foram separados e isolados após serem impedidos de permanecer em seu território tradicional.

“É uma oportunidade de compartilhar nossas histórias de resistência e resiliência diante de um processo marcado pela violência e pela tentativa de apagamento de nossa existência”, diz Angela Kaxuyana, liderança indígena da Associação Indígena Kaxuyana, Tunayana e Kahyana (Aikatuk).

Os Katxuyana e Kahyana, junto com outros 16 povos, alguns isolados, sempre habitaram a região localizada no oeste do Pará, divisa com o Amazonas. Na década de 1960, foram removidos de seus territórios pelo regime militar em processos de colonização da Amazônia.

Sem nunca perder a conexão com o lugar de pertencimento, os povos resistiram até em 2008, quando a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) inicia o processo de demarcação da Terra Indígena Kaxuyana‑Tunayana, um território de 2 milhões de hectares que abrange os municípios de Faro e Oriximiná (PA) e Nhamundá (AM).

O processo foi finalizado somente em 2025, quando um decreto reconheceu a homologação, última etapa do processo de devolução do território aos indígenas.

Curadoria

A manutenção dos vínculos com a terra, os rios, os antepassados e seus modos de existir até o momento da retomada dos territórios, também estão presentes nas obras escolhidas por uma curadoria compartilhada com o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé) e o Museu Paraense Emílio Goeldi.

“Na exposição, teremos peças dos Katxuyanas e dos Kahyanas, que são contemporâneas, que eles fazem e utilizam atualmente, e vamos ter peças que pertencem à Coleção Etnográfica do Museu Goeldi, coletadas pelo pesquisador Protásio Frikel na década de 1960”, detalha Lúcia van Velthem, museóloga e pesquisadora do Museu Emílio Goeldi.

Um dos elementos de destaque da exposição é o txamatxama, um artefato plumário usado para diplomacia entre povos e comunicação com outros seres vivos. É considerado de grande importância cosmológica e sociopolítica pelos povos Katxuyana e Kahyana.

A exposição fica aberta até o dia 30 de abril de 2027, de quarta a domingo, de 9h às 16 h, no Centro de Exposições Eduardo Galvão, localizado dentro do Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Relacionadas

Exposição em SP reúne fotos de movimentos feministas do Brasil

Eventos literários se firmam como espaços de encontro e visibilidade

Ver mais


Conteúdo reproduzido originalmente em: Agencia Brasil por Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil.

Conteúdo Original / Fonte: Fabíola Sinimbú - Repórter da Agência Brasil

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.