Sem Tim Cook perde o brilho? Apple fica de fora de recomendações de ações globais
Após esperança de alívio, o mercado americano entrou em setembro discutindo alta de juros, não corte. O discurso do presidente do banco central em Jackson Hole, no fim de agosto, reabriu a possibilidade de um novo aumento já na decisão do dia 16, e o relatório de emprego divulgado na sexta-feira (4) reforçou esse lado da discussão.
A mudança veio após um agosto agosto favorável a quem carrega ativo dolarizado. O índice de BDRs subiu 6,04% e teve o segundo melhor desempenho entre os índices de renda variável da B3 no mês, atrás apenas do índice de ouro.
Nesse ambiente, as recomendações de ações internacionais sofreu mudanças. O custo da memória usada em data centers subiu e separou as empresas que vendem o componente daquelas que precisam comprá-lo. Com isso, a Micron se tornou a mais indicada, e a Apple, até então a segunda mais apontada, saiu do ranking do mês.
Comece agora!
As posições deixaram os elos mais distantes da infraestrutura e se concentraram em quem fornece o que a expansão dos data centers consome. A redução da Apple em uma das carteiras foi atribuída justamente à pressão do preço da memória sobre a margem do próximo iPhone.
Veja as ações internacionais mais recomendadas para setembro:
Micron (MUTC34)
A tese é a mesma nas seis carteiras que trazem o papel. O mercado de memória segue subofertado, e a avaliação predominante é de que essa condição deve durar mais do que o usual, porque a oferta não se expande na velocidade da demanda. A memória de alta largura de banda, usada nos aceleradores de inteligência artificial, é vendida a um preço cerca de três vezes superior ao da memória tradicional, o que melhora o mix e a rentabilidade da companhia.
Continua depois da publicidade
A avaliação predominante é de que a capacidade de HBM da empresa para 2026 já está comprometida, e o lançamento de novas gerações de chips deve sustentar a demanda adiante. Mesmo depois da valorização recente, uma das carteiras aumentou a posição no mês, com o argumento de que o papel segue negociando abaixo da média histórica frente aos lucros projetados.
Alphabet (GOGL34)
O Google Cloud é o ponto central da recomendação. A receita do segmento cresceu 82% no segundo trimestre, com expansão de margem operacional, movimento associado à adoção corporativa de inteligência artificial. Três das carteiras elevaram o peso do papel no mês.
A companhia mantém participação próxima de 90% no mercado de buscas, mesmo com o avanço dos modelos de linguagem, e o YouTube ganha espaço em publicidade e assinaturas. As projeções apontam múltiplo em linha com a média histórica e abaixo do S&P 500, o que sustenta a tese de que o crescimento ainda não está refletido no preço.
Continua depois da publicidade
Amazon (AMZO34)
A recomendação se apoia na nuvem antes do varejo. A receita da AWS avançou 36,8% no segundo trimestre, com margem operacional acima de 39%, e o segmento é apontado como o principal vetor de crescimento da companhia. A publicidade digital e o streaming aparecem como linhas complementares.
O varejo digital continua relevante, com participação próxima de 38% nos Estados Unidos, mas a avaliação predominante é de que o valor da empresa está concentrado nos negócios de maior margem.
Exxon Mobil (EXXO34)
É a única representante do setor de energia entre as seis mais recomendadas, e entrou em uma das carteiras neste mês. O argumento tem três partes. A ação negocia com desconto frente à própria média dos últimos dois anos, o ambiente geopolítico tende a elevar o prêmio de risco embutido no preço do petróleo, e as margens de refino estão em patamar elevado por causa da oferta global restrita de capacidade de processamento.
Continua depois da publicidade
A consolidação do setor nos últimos anos, com aquisições de porte entre as grandes petroleiras, aparece como um quarto fator, pela expectativa de ganho de escala e redução de despesas.
Microsoft (MSFT34)
A recomendação segue ancorada no Azure, cuja receita cresceu 43% no trimestre, o melhor ritmo desde 2022. O segmento de nuvem responde pela maior parte da expansão da companhia, e o capex anunciado para o próximo exercício indica continuidade do investimento em infraestrutura.
As projeções apontam elevado custo de substituição dos produtos e barreiras de entrada, o que dá previsibilidade à receita. Em contrapartida, o potencial de valorização estimado pelo consenso é o menor entre as seis ações da lista.
Continua depois da publicidade
Nvidia (NVDC34)
A companhia mantém participação em torno de 80% no fornecimento de GPUs para data centers. A receita do segmento cresceu 117% no último trimestre, com mais da metade vinda das grandes provedoras de nuvem, e a empresa projeta expansão de 70% da receita no próximo ano fiscal.
A avaliação predominante é de que a demanda por capacidade de processamento continua acima da oferta. A margem bruta se manteve em 75% mesmo com pressão de custos, e o consenso de mercado trabalha com potencial de valorização próximo de 46%.
Conteúdo reproduzido originalmente em: InfoMoney por Paulo Barros.