A Ucrânia afirmou nesta segunda-feira (15) ter atingido um submarino russo em um ataque inédito realizado no Mar Negro. De acordo com o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), a embarcação foi alvo de uma operação com drones subaquáticos, no porto de Novorossiysk, causando danos críticos que teriam deixado o submarino fora de operação.
Segundo o comunicado oficial, a ação utilizou drones submarinos do tipo “Sub Sea Baby”, marcando a primeira vez que esse tipo de equipamento foi empregado com sucesso contra um submarino da Marinha da Rússia.
O alvo seria um submarino da classe Kilo (Varshavyanka, na designação russa), modelo conhecido pelo apelido de “Buraco Negro” por sua capacidade de reduzir a detecção por sonar. Essas embarcações são usadas para o lançamento de mísseis de cruzeiro Kalibr, armamento frequentemente empregado por Moscou em ataques contra o território ucraniano desde o início da guerra. Cada submarino desse tipo pode disparar até quatro mísseis simultaneamente.
Ainda segundo o SBU, o custo estimado de um submarino da classe Kilo gira em torno de US$ 400 milhões.
Ataque ocorre em meio a negociações de paz
O anúncio do ataque foi divulgado logo após o encerramento do segundo dia de negociações entre delegações da Ucrânia e dos Estados Unidos, realizadas em Berlim, que buscam caminhos para um eventual acordo de paz.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que Kiev precisa ter “absoluta certeza” sobre quais garantias de segurança serão oferecidas por seus aliados antes de aceitar qualquer definição de linha de frente em um possível acordo com a Rússia. Autoridades norte-americanas relataram otimismo e disseram que cerca de 90% dos pontos discutidos já teriam sido encaminhados.
Zelensky também declarou que a Ucrânia abriu mão da intenção de ingressar na Otan em troca de garantias de segurança do Ocidente.
Retirada da frota russa
O Serviço de Segurança da Ucrânia informou ainda que o submarino atingido estava estacionado em Novorossiysk após sucessivas operações ucranianas com drones marítimos forçarem a Rússia a retirar parte de sua frota da Baía de Sebastopol, na Crimeia, território ucraniano ocupado por Moscou desde 2014.
O episódio representa uma nova escalada tecnológica no conflito e reforça a estratégia ucraniana de atingir ativos estratégicos russos mesmo fora das linhas diretas de combate.
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