30/08/2026

Tarifaço de Trump pode atingir eleitorados específicos, avalia especialista

Por CNN Brasil

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Brasil e Estados Unidos retomam nesta segunda-feira (31) as negociações virtuais sobre as sobretaxas comerciais impostas aos produtos brasileiros. Em entrevista ao CNN AGORA, o economista e professor do Ibmec José Niemeyer analisou o cenário das tratativas e classificou o tarifaço como uma medida equivocada, com motivações predominantemente eleitorais.

Para Niemeyer, o segundo tarifaço — que incide principalmente sobre produtos semi-manufaturados e insumos industriais — tem como objetivo reativar indústrias nos Estados Unidos. “O Trump quer melhorar o desenho desta indústria norte-americana para angariar votos, porque são funcionários, é um tipo de operariado que vota em Trump”, afirmou. “Foi uma maneira de conseguir atingir eleitorados específicos dentro dos Estados Unidos na área de produção industrial.”

Agenda errada e contradição republicana

O economista ressaltou que a política tarifária contraria princípios históricos do próprio partido de Trump. “A agenda republicana sempre privilegiou o comércio multilateral, essa é uma visão liberal de comércio que faz parte da agenda republicana”, disse Niemeyer. Segundo ele, Trump “é nacionalista ao extremo” e quer transformar os Estados Unidos em uma autarquia, produzindo tudo o que necessita de bens e serviços — o que, na avaliação do especialista, “não vai dar certo, e já não deu certo”.

Como exemplo, Niemeyer citou a recente liberação de cotas para importação de carne bovina brasileira destinada à produção de hambúrguer nos Estados Unidos. “O norte-americano consome muito hambúrguer no seu dia a dia. Deixar de consumir ou ficar caro a partir da produção de carne do pecuarista norte-americano vai fazer com que a popularidade de Trump diminua mais ainda”, avaliou, acrescentando que a aprovação de Trump já estaria em torno de 30% a 35% e poderia cair ainda mais.

Niemeyer também alertou que Trump pode perder o apoio na Câmara Federal a partir de novembro, o que dificultaria ainda mais a governabilidade diante de um déficit público elevado.

Negociações: cenário realista e possíveis concessões

Sobre as perspectivas das negociações entre Brasil e Estados Unidos, Niemeyer defendeu um “cenário realista”, nem otimista nem pessimista. Para ele, as tarifas devem continuar para alguns produtos, mas a retomada do diálogo técnico é um passo importante. “Essa conversa é fundamental, achei um passo muito importante, porque não vai ser Trump conversando com Lula, porque eles não conhecem o comércio internacional, vão ser os técnicos conversando”, explicou.

O economista também indicou que o Brasil possivelmente terá de ceder em alguns pontos, especialmente no setor de etanol, dado que os Estados Unidos são grandes produtores do produto. “Talvez a questão do etanol, a gente tenha que perder um pouco na negociação”, disse.

Para os produtos manufaturados, Niemeyer avaliou que o Brasil poderá ter de conviver com tarifas mais elevadas e buscar novos mercados compradores — tarefa que considera mais difícil do que a realizada após o primeiro tarifaço, quando as exportações para China, Filipinas, Ásia em geral, União Europeia e Mercosul cresceram.

Parceria estratégica entre Brasil e Estados Unidos

Apesar das dificuldades, Niemeyer reforçou a importância da relação comercial entre os dois países. Segundo ele, a pauta de exportações brasileiras para os Estados Unidos é mais sofisticada em termos de valor agregado do que para outros parceiros, incluindo aviões e óleos combustíveis.

“É importante que o Brasil continue tendo os Estados Unidos como um grande parceiro, independente de partidos políticos no Brasil e nos Estados Unidos”, concluiu o economista, destacando ainda o papel dos investimentos diretos norte-americanos no Brasil como fator estratégico para a geração de empregos e arrecadação de impostos no país.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.Acompanhe Economia nas Redes Sociais


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites.

Conteúdo Original / Fonte: afonsobenites

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