Ucrânia diz que não está por trás das explosões no gasoduto Nord Stream
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A Ucrânia não teve qualquer participação na explosão dos gasodutos Nord Stream e está colaborando com a investigação sobre o caso, afirmou o presidente Volodymyr Zelensky neste domingo (23), durante uma coletiva de imprensa após a cúpula Báltico-Nórdica em Kiev.
“A Ucrânia nunca participou oficialmente de nenhuma operação relacionada à explosão do gasoduto Nord Stream 2”, disse ele a jornalistas em Kiev.
Os gasodutos de gás natural Nord Stream 1 e 2, que ligam a Rússia à Alemanha, foram danificados por explosões em setembro de 2022, e dois suspeitos ucranianos estão atualmente detidos sob a acusação de envolvimento no episódio.
O que são os gasodutos de Nord Stream?
O sistema Nord Stream consiste em duas tubulações subterrâneas duplas, Nord Stream 1 (NS1) e Nord Stream 2 (NS2), construídas pela operadora de sistemas russa Gazprom para transportar até 110 bilhões de metros cúbicos de gás natural anualmente da Rússia através do Mar Báltico até a Alemanha.
Os quatro gasodutos de aço revestidos de concreto, com cerca de 1.200km de comprimento e mais de um metro de diâmetro, estão localizados a uma profundidade de cerca de 80 a 110m.
O NS1 entrou em operação em 2012. O NS2 foi concluído em setembro de 2021 e abastecido com gás, mas nunca foi utilizado.
A Alemanha cancelou o processo de aprovação do Nord Stream 2 dias antes da invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro de 2022, o que colocou a dependência da Europa do gás natural russo em evidência política.
Relembre a explosão
Em 26 de setembro de 2022, sismólogos suecos registraram várias explosões, com cerca de 17 horas de intervalo, na ilha dinamarquesa de Bornholm. As explosões romperam três dos quatro gasodutos do Nord Stream, lançando nuvens de metano na atmosfera.
A Gazprom afirmou que cerca de 800 bilhões de litros, o equivalente a cerca de três meses de fornecimento de gás dinamarquês, vazaram. O vazamento de gás durou vários dias.
Apenas um dos quatro gasodutos, parte do NS2, permanece intacto. Em janeiro, a Dinamarca concedeu permissão para a realização de obras de conserto, mas não está claro se alguma obra foi de fato realizada.
Empresas ocidentais que detinham participações ou financiaram a construção dos gasodutos, como a alemã EONGn.DE e a britânica Shell, suspenderam todos os seus investimentos desde as explosões.
Quem está por trás das explosões?
Ninguém assumiu a responsabilidade. A Dinamarca e a Suécia concluíram que se tratou de um ato de sabotagem, mas encerraram suas investigações em fevereiro de 2024 sem identificar nenhum suspeito.
Investigações da imprensa, incluindo o New York Times e o Wall Street Journal, indicaram que um grupo pró-Ucrânia estava por trás do ataque.
Promotores alemães identificaram um suspeito preso na Itália apenas como Serhii K e disseram que ele fazia parte de um grupo que plantou dispositivos nos oleodutos perto de Bornholm.
Ele e seus cúmplices partiram da cidade de Rostock, na costa nordeste da Alemanha, em um veleiro alugado para realizar o ataque, disseram os promotores.
A revista alemã Der Spiegel e a emissora de TV ZDF noticiaram anteriormente que um grupo de seis pessoas — cinco homens e uma mulher — estava no iate que partiu de Rostock em 6 de setembro e retornou em 23 de setembro de 2022.
O barco, chamado Andromeda, foi avistado na pequena ilha dinamarquesa de Christiansborg, perto dos locais da explosão, no porto sueco de Sandhamn e em uma marina em Kołobrzeg, na Polônia, antes de retornar à Alemanha.
Investigadores alemães, que invadiram o iate em janeiro de 2023, encontraram a bordo vestígios dos mesmos explosivos descobertos pela Suécia nos locais da explosão, informou a mídia alemã.
A Alemanha informou às Nações Unidas que acreditava que mergulhadores treinados poderiam ter conectado dispositivos aos oleodutos a uma profundidade de cerca de 70 a 80 metros.
A mídia alemã também noticiou que Berlim havia emitido um mandado de prisão europeu em 2024 contra um instrutor de mergulho ucraniano, identificado como Volodymyr Z, em conexão com os ataques.
O suspeito, que morava na Polônia na época, posteriormente partiu para a Ucrânia, disseram os promotores poloneses. Eles também afirmaram que não havia evidências que sugerissem que a Polônia fosse usada como centro para os ataques.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por lucasoliveira.