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Yara inaugura projeto de 200 milhões de euros que enterra CO₂ no mar

Por fernandapressinott 07/09/2026 09:25
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A empresa norueguesa de fertilizantes Yara inaugurou nesta segunda-feira (7) a maior unidade industrial de captura de carbono da Europa, na fábrica de Sluiskil, na Holanda, com um investimento de 200 milhões de euros. O projeto permitirá que a companhia capture até 800 mil toneladas de CO₂ (dióxido de carbono) por ano durante a produção de amônia, principal matéria-prima dos fertilizantes nitrogenados.

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Para o presidente e CEO da Yara, Svein Tore Holsether, o investimento só se sustenta porque existe um modelo econômico que remunera a redução das emissões. “Não haverá transição verde com números vermelhos. No fim das contas, isso precisa fazer sentido financeiramente”, afirmou Holsether durante conversa com jornalistas.

Segundo o executivo, a captura de carbono só se tornou viável porque a Europa criou incentivos econômicos para reduzir emissões. Hoje, empresas que emitem CO₂ pagam pelo carbono dentro do mercado europeu de emissões. Quem consegue reduzir suas emissões passa a evitar esse custo e pode comercializar parte das permissões que não utiliza.

A iniciativa transforma a fábrica em uma das primeiras unidades de fertilizantes do mundo a ser descarbonizada por meio da tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês), um sistema que captura o CO₂ antes que ele seja lançado na atmosfera e o armazena permanentemente em formações geológicas.

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Da fábrica ao fundo do mar

O processo funciona em quatro etapas. Primeiro, o CO₂ é separado dos gases da produção da amônia. Depois, ele é comprimido e resfriado até se tornar líquido, o que facilita o transporte.

O carbono liquefeito fica armazenado temporariamente na fábrica e, em seguida, é levado por navios da empresa Northern Lights até o terminal de Øygarden, na costa da Noruega.

A etapa final acontece a  2,6 quilômetros abaixo do fundo do Mar do Norte, onde o CO₂ é injetado em uma formação geológica porosa e selada por camadas de rocha, projetada para armazená-lo de forma permanente.

A expectativa é que o projeto capture aproximadamente 12 milhões de toneladas de CO₂ ao longo dos próximos 15 anos.

Como o fertilizante fica “mais verde”?

O fertilizante em si não captura carbono. O que muda é a forma como ele é produzido. Grande parte dos fertilizantes nitrogenados começa pela produção de amônia, um processo industrial que utiliza gás natural e libera grandes volumes de CO₂. Esse carbono é um subproduto inevitável da fabricação da amônia.

Na unidade de Sluiskil, a Yara instalou equipamentos que capturam esse CO₂ diretamente nas chaminés da fábrica, antes que ele seja emitido para a atmosfera.
A amônia é base de alguns dos fertilizantes mais utilizados no mundo, como ureia, nitrato de amônio, sulfato de amônio e fosfatos de amônio, como o MAP e o DAP. Por isso, ao reduzir as emissões nessa etapa da cadeia, a Yara passa a produzir fertilizantes com menor pegada de carbono, sem alterar a composição química do produto utilizado pelo agricultor.

Segundo a companhia, esses fertilizantes poderão abastecer cadeias de produção de alimentos, combustíveis marítimos e aplicações industriais com menor intensidade de emissões. O CEO, no entanto, explica que um dos principais desafios é dar escala a essa produção.

Capturar carbono também muda a conta financeira

A unidade de Sluiskil emitia CO₂ dentro do limite permitido pelo sistema europeu de comércio de emissões, conhecido como ETS. Agora, ao capturar cerca de 50% das emissões da fábrica, a empresa passa a emitir abaixo da sua cota.

Isso significa que a Yara reduz a necessidade de comprar créditos para emitir carbono e pode comercializar o excedente de permissões no mercado europeu de carbono.
Holsether explicou que o incentivo econômico é um dos pilares do projeto.

“Hoje, na Europa, o carbono custa cerca de 84 euros por tonelada. Esse é um custo que eu deixo de pagar quando não emito. Mas preciso pagar para armazenar esse carbono. Sem incentivo financeiro, quem continua poluindo fica em uma posição de custo melhor do que quem investe para reduzir emissões”, disse.

Segundo ele, por isso a participação dos governos é necessária para criar demanda por produtos de baixo carbono e dar escala a esse tipo de investimento. No entanto, os produtos considerados de baixo carbono, produzidos a partir de biometano, hidrogênio e, agora, CCS, representam uma parte mínima do portfólio da companhia, que produziu 20,8 milhões de toneladas de fertilizantes no último ano.

Competitividade e segurança energética

Durante a inauguração, autoridades europeias defenderam o projeto como uma estratégia industrial e política, além de uma medida climática.

O comissário europeu para Clima, Impacto Zero e Crescimento Sustentável, Wopke Hoekstra, afirmou que a Europa precisa produzir fertilizantes “mais baratos, mais limpos e mais europeus” para reduzir a dependência externa.

Segundo Hoekstra, cerca de 80% do gás natural e 95% do petróleo consumidos na Europa são importados, o que expôs a vulnerabilidade do continente após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

Ele classificou Sluiskil como uma das primeiras fábricas de fertilizantes do mundo a ser descarbonizada com CCS e afirmou que projetos desse tipo têm impacto para empresas, regiões e para a indústria europeia.

O primeiro-ministro da Holanda, Rob Jetten, também relacionou o investimento aos conflitos na Ucrânia e no Irã, afirmando que as guerras evidenciaram a necessidade de a Europa reduzir sua dependência de cadeias externas em setores considerados estratégicos.

*A jornalista viajou a convite da Yara


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por fernandapressinott.

Conteúdo Original / Fonte: fernandapressinott
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