Adolescente grava prĂłprio estupro apĂłs ser abusada por 6 anos; padrasto dizia estar ‘possuĂ­do’

Por Marina, ContilNet 17/06/2021 Ă s 10:04
Garota de 14 anos denunciou padrasto por abusos sexuais em Praia Grande, SP — Foto: G1 Santos

Uma adolescente de 14 anos gravou um vídeo sendo estuprada pelo padrasto, de 44, e denunciou abusos sexuais cometidos por ele há pelo menos seis anos, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Segundo a garota, ela decidiu que só contaria à família quando tomasse coragem e tivesse provas do crime.

A irmã mais velha da vítima contou ao G1, nesta quinta-feira (17), que os abusos aconteciam desde quando a menina tinha apenas 7 anos. O homem é casado há 12 com a mãe dela, e há alguns meses os abusos estavam se tornando cada vez mais frequentes.

Para não ser denunciado, de acordo com o relato, ele ameaçava a garota, e também pegava o celular dela antes dos abusos, para que não fosse registrado de nenhuma forma. Além disso, não havia diálogo entre a menina e a mãe.

“Minha mĂŁe nunca falou sobre sexo com ela [vĂ­tima]. Ela sĂł foi entender o que estava acontecendo com 12 anos, na escola”, conta a irmĂŁ da vĂ­tima, que prefere nĂŁo se identificar.

No entanto, no mês passado, ele pensou que a menina estivesse dormindo e começou a praticar o abuso sexual. Ela acordou e, com o celular escondido, conseguiu gravar momentos do crime.

Na semana seguinte à gravação, ela procurou a irmã mais velha, que não mora com eles, para denunciar o estupro. As duas contaram à mãe e, após ver o vídeo, as três foram à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande registrar a denúncia.

“Ela [mĂŁe] nĂŁo iria sĂł acreditar em palavras, ela era muito apaixonada por ele [padrasto]. Quando ela viu o vĂ­deo, ficou paralisada”, disse a irmĂŁ da vĂ­tima ao G1.

‘Peças se encaixaram’

 

A irmĂŁ diz que, quando soube do crime e viu o vĂ­deo da adolescente sendo abusada, as “peças se encaixaram” com relação ao comportamento do padrasto com as enteadas. “As brincadeiras dele em famĂ­lia sempre foram de abraçar, pegar na bunda. Tudo coisas estranhas. As peças foram se encaixando quando ela me contou”, disse.

AlĂ©m disso, a adolescente nĂŁo tinha como escapar dos abusos, pois ele tinha acesso a todos os cĂ´modos da casa. “SĂŁo quatro quartos. Ele tinha a chave de todos. Mesmo se minha irmĂŁ trancasse, ele conseguia abrir. Minha mĂŁe confiava tanto nele que dava as chaves”.

‘PossuĂ­do’

 

ApĂłs a denĂşncia Ă  polĂ­cia, quando a famĂ­lia decidiu confrontar o homem e expulsá-lo de casa, ele chegou a confessar o crime para a esposa, segundo conta a irmĂŁ. “Minha mĂŁe conversou com ele, chorando. Ele confessou para ela, e falou que era tudo culpa do diabo”, relata.

“Disse que se arrepende, que espera que a famĂ­lia perdoe ele. Disse que, Ă  noite, algo puxava ele e falava para ele fazer, que era mais forte que ele, que estava possuĂ­do. Ele disse que sabe que estragou uma vida, mas falou tentando comover minha mĂŁe”, completa a irmĂŁ.

Em seguida, ele foi expulso do local, com o apoio da Polícia Civil, que acompanhou a família até a residência.

Investigação

 

Um boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher de Praia Grande, que investiga o caso. A adolescente passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), mas o resultado ainda não ficou pronto.

Segundo apurado pelo G1, a Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão preventiva do suspeito assim que recebeu a denúncia com o vídeo, mas o pedido não foi acatado pelo juiz de plantão. Mesmo assim, foi pedida a medida protetiva de urgência, com deferimento de distanciamento mínimo de 500 metros da vítima.

O G1 não conseguiu localizar o suspeito ou o advogado do suspeito para falar sobre o assunto.

ConteĂşdo Original / Fonte: G1

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