23/09/2026

Advogada de namorado de Isabelle contesta prisão: “Foi suicídio”

“Foi suicídio. O que é que ele tem a ver com isso?”, declarou a advogada Lígia Peixe ao Diário do Nordeste

Por Redação ContilNet
Caso aconteceu em Fortaleza/Foto: Reprodução

A defesa de João Munhoz Neto, namorado de Isabelle Caracristi, de 22 anos, contestou a prisão preventiva do investigado e afirmou que, na avaliação dos advogados, a estudante tirou a própria vida. João foi preso pela Polícia Civil do Ceará na terça-feira (22), durante a investigação sobre a morte da jovem.

“Foi suicídio. O que é que ele tem a ver com isso?”, declarou a advogada Lígia Peixe ao Diário do Nordeste. Segundo a defensora, João não estava no condomínio no momento em que Isabelle morreu.

A afirmação representa a versão da defesa. A investigação policial segue em andamento e apura, entre outras possibilidades, se houve induzimento ou instigação ao suicídio e violência psicológica contra a jovem. Nesta quarta-feira (23), a Justiça manteve a prisão preventiva de João após audiência de custódia.

Defesa afirma que João prestou depoimento

De acordo com Lígia Peixe, João havia comparecido espontaneamente à Polícia Civil na segunda-feira (21), acompanhado da advogada. Na ocasião, ele prestou depoimento por cerca de quatro horas e entregou o celular e a senha para análise dos investigadores.

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A defesa sustenta que, por esse motivo, ele permanecia à disposição da polícia e contesta a necessidade da prisão. Após a manutenção da medida, os advogados afirmaram que pretendem analisar a decisão judicial e buscar a soltura do investigado.

João foi localizado em um imóvel na Avenida Santos Dumont, em Fortaleza, onde, segundo a defesa, estava na casa da avó. A prisão preventiva havia sido determinada pela Justiça do Ceará, que mantém o processo sob sigilo.

Câmeras mostram que namorado não estava no condomínio

Um dos principais argumentos apresentados pela defesa é que João não estava no condomínio no momento da queda.

Imagens de segurança analisadas pela investigação mostram que ele deixou o edifício por volta das 18h32. Isabelle aparece sozinha no elevador às 19h12, seguindo para o rooftop localizado no 23º andar. O impacto da queda foi registrado por volta das 20h40.

João retornou ao condomínio às 22h48, aproximadamente duas horas depois da queda, segundo informações divulgadas pelo Diário do Nordeste e outros veículos que tiveram acesso às imagens.

A defesa afirma que João havia saído para participar de uma missa e deixado Isabelle no apartamento porque ela estaria com torcicolo.

O laudo cadavérico apontou politraumatismo compatível com o impacto contra o solo, enquanto os exames toxicológicos não identificaram substâncias de interesse. A dinâmica da queda, porém, continua sendo investigada.

Polícia também investiga possível interferência nas provas

A investigação não está restrita à circunstância da queda. A Polícia Civil também apura possíveis ações que poderiam ter prejudicado a preservação de provas.

Segundo informações divulgadas pelo Diário do Nordeste, estão sob investigação episódios relacionados à retirada de objetos do apartamento, à limpeza do imóvel e à tentativa de colocá-lo à venda após a morte de Isabelle.

O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, afirmou nesta quarta-feira que a investigação levou em consideração informações sobre a conduta de João após a morte da estudante. Entre os pontos citados estão a procura pelo celular de Isabelle e a suposta restrição à entrada de familiares dela no condomínio.

A defesa nega qualquer tentativa de obstrução. Segundo Lígia Peixe, o imóvel pertence à mãe de João, é financiado e não estaria sendo colocado à venda.

Áudios e mensagens de Isabelle são analisados

Outro elemento que faz parte da investigação são mensagens e áudios enviados por Isabelle a familiares antes da morte.

Segundo a defesa da família, a estudante teria feito relatos sobre o relacionamento com João e pedido que os materiais fossem preservados. O conteúdo foi entregue à Polícia Civil e deverá ser analisado junto com os celulares, imagens de segurança, depoimentos e demais provas.

Familiares de Isabelle também relataram à imprensa que ela vivia uma relação marcada por ciúmes e controle. A defesa de João contesta que esses relatos comprovem induzimento ou participação dele na morte.

Prisão não significa condenação

João Munhoz Neto permanece preso preventivamente enquanto a investigação prossegue. A prisão cautelar não representa condenação nem conclusão definitiva sobre a responsabilidade do investigado pela morte de Isabelle.

A Polícia Civil ainda analisa elementos técnicos e testemunhais para esclarecer as circunstâncias da queda. O delegado-geral afirmou que a perícia não identificou elemento que afastasse, até o momento, a hipótese de suicídio, mas ressaltou que nenhuma linha de investigação está sendo descartada.

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