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Chacina do Preventório: Estado é condenado e defesa diz que vai recorrer

Por Redação ContilNet 16/07/2026 às 13:59
O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) negou o pedido de revisão criminal feito por um homem condenado por tráfico de drogas

Após a sessão, o advogado informou que o colegiado acolheu parcialmente os argumentos apresentados pela defesa— Foto: Reprodução

Oito anos após uma operação policial que terminou com mortes e deixou moradores feridos no bairro Preventório, em Rio Branco, a Justiça reconheceu que o Estado do Acre pode ser responsabilizado pelos danos causados durante a ação. A decisão foi comemorada pelo advogado das vítimas, Walisson Reis, nesta quinta-feira (16), que afirmou que o resultado representa uma vitória, mas disse que ainda irá recorrer para tentar aumentar os valores das indenizações.

“Fizemos justiça hoje, porque a Justiça negou em primeiro grau, mas o Tribunal reconheceu essa responsabilidade”, declarou o advogado em vídeo publicado após o julgamento.

Segundo o advogado, a decisão teve como base o Tema 1237 do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece a responsabilidade objetiva do Estado em situações envolvendo danos causados durante ações de agentes públicos, incluindo casos em que há disparos e a perícia não consegue apontar com precisão a origem do tiro.

“Os desembargadores entenderam que ficou uma vítima lesionada, em cadeira de rodas, aleijada, e ela vai receber aproximadamente R$ 300 mil com os cálculos dos valores retroativos”, explicou.

Outra vítima atingida durante a operação deverá receber cerca de R$ 88 mil após a atualização dos valores. O montante corresponde a R$ 40 mil por danos morais e R$ 40 mil por danos estéticos, além das correções previstas.

Já uma terceira vítima deverá receber aproximadamente R$ 88 mil após a atualização de uma indenização inicialmente fixada em R$ 30 mil.

Para o advogado, o reconhecimento da responsabilidade do Estado é apenas uma das etapas do processo. “Não é justo que o Estado vá lá, cometa uma barbaridade com o que fizeram e dê R$ 80 mil, R$ 30 mil, e está resolvido o problema. Nós respeitamos, mas vamos recorrer”, disse.

Reconhecimento

Segundo Walisson, a decisão representa um reconhecimento da luta das famílias, mas ainda não encerra a busca por responsabilização. “Nós entendemos que não houve uma ação legítima, mas sim uma chacina praticada por policiais militares do Estado do Acre”, afirmou.

O caso ocorreu em maio de 2018, durante uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), no bairro Preventório, em Rio Branco. Três pessoas morreram: Maria Cauane, de 11 anos, Gleiton Silva Borges e Edmilson Fernandes da Silva Sales.

VÍDEO:

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