A Polícia Civil prendeu, na manhã de quinta-feira (23/7), a mãe de 30 anos e o padrasto, de 37, acusados de torturar quatro crianças com idades entre 4 e 10 anos em uma propriedade rural em Cunha, no interior de São Paulo. A Justiça decretou a prisão temporária do casal após a apresentação de provas das agressões.
As investigações apontam que os irmãos eram agredidos de forma sistemática com socos, chutes na região íntima, golpes com objetos contundentes e atingidos com uma vara de espinhos. Além da violência física, as vítimas eram submetidas a longos períodos de privação de alimentos e forçadas a dormir no chão durante o período de frio extremo na região.
O caso passou a ser apurado na terça-feira (21/7), quando o pai e a madrasta das crianças compareceram à Delegacia de Cachoeira Paulista para registrar a denúncia. As agressões foram descobertas após as crianças, que estavam na casa do pai desde a sexta-feira (17/7) para passar as férias escolares, mostrarem comportamento retraído e receoso ao serem questionadas sobre lesões identificadas no corpo durante o banho.
A primeira a detalhar a rotina de abusos foi a caçula, de 4 anos, que relatou ter sido atingida por golpes de cadeira. Em depoimentos prestados de forma reservada, todos os irmãos confirmaram o uso recorrente da vara de espinhos por parte da mãe e do padrasto.
O padrasto das vítimas foi identificado como o servidor público municipal Dalton Jonathan Coelho Toledo, que exercia a função de servente na Prefeitura de Cunha. Ele foi localizado ao lado da companheira na rua José Amato Filho, no bairro Falcão. Em obediência ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a reportagem omitiu o nome da mãe para preservar a identidade dos menores.
Na residência onde os crimes ocorriam, os policiais apreenderam uma pistola de airsoft sem a marcação alaranjada na ponta, alteração que mantinha o objeto com aparência idêntica à de uma arma de fogo de fogo real.
Em nota oficial, a Prefeitura de Cunha repudiou as agressões, expressou solidariedade às vítimas e informou que não tinha conhecimento prévio do caso. A administração municipal declarou que adotará as sanções administrativas e demissionais cabíveis em relação ao servidor caso os fatos sejam comprovados no âmbito do processo judicial.
