Operação mira rede ilegal de anabolizantes no Acre e em 8 estados
O Acre é um dos alvos de uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na manhã desta quarta-feira (12/8) contra uma organização investigada por fabricar e distribuir anabolizantes e produtos proibidos em diversas regiões do país. A Operação Narciso, conduzida pela Divisão de Defesa do Consumidor, cumpre ordens judiciais em solo acreano, no DF e em outros sete estados, além de monitorar rotas de abastecimento ligadas ao Paraguai.
A Justiça autorizou ao todo 43 mandados de prisão preventiva e temporária e 64 ordens de busca e apreensão. A decisão judicial determinou ainda o bloqueio e o sequestro de R$ 32 milhões em ativos financeiros, além da quebra de sigilo bancário de 58 investigados. As ações da polícia alcançam o Acre, Santa Catarina, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba, Minas Gerais e o Distrito Federal.
Durante as diligências nas primeiras horas do dia, mais de 20 estabelecimentos foram lacrados, 10 veículos de luxo apreendidos e mais de 30 páginas e canais de vendas mantidos na internet foram retirados do ar por determinação da Justiça.
As apurações apontam que os alvos produziam as substâncias em residências e depósitos improvisados, sem qualquer fiscalização sanitária, utilizando insumos trazidos da China, da Índia e do Paraguai. O grupo realizava a manipulação do material sem controle de qualidade e comercializava produtos que continham substâncias ocultas, não declaradas nos rótulos das embalagens.
Para expandir a distribuição pelo país — alcançando consumidores no Acre e em outras unidades da federação —, o esquema contava com a participação de profissionais da área e influenciadores digitais na divulgação das marcas. O grupo também utilizava empresas de fachada, contas de terceiros e plataformas de apostas online para lavar os valores obtidos com o comércio ilícito.
A investigação teve início em fevereiro de 2025, a partir dos desdobramentos da Operação Béquer, quando agentes encontraram um laboratório clandestino no Distrito Federal. A perícia em aparelhos celulares apreendidos permitiu mapear a logística do esquema, identificando gráficas, distribuidores, laboratórios e a rota de contrabando que conectava o grupo à fronteira paraguaia.