Agentes da Polícia Federal (PF) no Acre começaram a cumprir, no começo da noite desta sexta-feira (26), a determinação do ministro Raul Jungmann (Segurança Pública) de apurar a legitimidade do movimento que paralisou as principais rodovias do Brasil. O presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado do Acre (Sintraba), Júlio Farias, e Marcus Vinicius Menezes Maia, que compõe a direção da entidade, tiveram que prestar depoimento na sede da Superintendência da PF no estado.
Outras 18 pessoas também foram intimidas e conduzidas pelos agentes federais. Entre os intimados há empresários e integrantes do movimento autônomo de apoio à paralisação, que nada têm a ver com o Sintraba.

Intimações fazem parte da investigação sobre possibilidade de locaute/Foto: reprodução
Segundo um dos depoentes, as principais questões formuladas pelos delegados da Polícia Federal têm como objetivo apurar a autonomia do sindicato dos caminhoneiros na manifestação e se existem empresas por trás da paralisação, financiando os manifestantes.
O presidente do Sintraba estava em casa quando os agentes federais o intimaram e o conduziram às dependências da instituição para tomar seu depoimento.

Júlio Farias estava em casa quando os agentes da PF o levaram para depor/Foto: reprodução
Membro da diretoria da entidade de classe, Menezes Maia também foi conduzido pelos policiais para prestar esclarecimentos sobre a greve. Identificados os líderes do movimento, todos foram conduzidos coercitivamente até a superintendência do órgão.
Locaute
Em declaração dada ontem (25) à imprensa, o ministro Jungmann afirmou que a determinação do governo federal é apurar se está havendo, por trás da manifestação o chamado locaute. Trata-se de um termo usado para definir a iniciativa de patrões que usam empregados em manifestações que visam dividendos para os primeiros.
O presidente Michel Temer, após uma fracassada tentativa de negociação com os representantes do movimento em Brasília, determinou ontem que as forças policiais e até o Exército se encarreguem de desbloquear as estradas.
Segundo a assessoria da Polícia Rodoviária Federal (PRF), desde a terça-feira (22) foram emitidas 349 multas por obstrução das vias, num total de R$ 1,77 milhão em infrações.
A PRF garantiu ainda que na manhã desta sexta, 544 dos 596 pontos de bloqueio nas rodovias já tinham sido liberados pelos manifestantes.
