Uma operação conjunta entre o Ministério Público do Amazonas (MPAM) e a Polícia Civil resultou na prisão preventiva de um cabo da Polícia Militar na noite desta sexta-feira (17), na capital amazonense. O agente de segurança pública é investigado sob a suspeita de participar ativamente do sequestro de um empresário local e, posteriormente, repassar a vítima para custódia de integrantes de uma organização criminosa que atua no estado.
A captura do militar ocorreu no âmbito da denominada Operação Prova Viva, deflagrada pelo braço ministerial em coordenação com a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Os agentes interceptaram o investigado no exato momento em que ele se apresentava para iniciar o seu turno regulamentar de serviço na sede da 12ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), localizada em Manaus.
Os relatórios técnicos produzidos pelas equipes de investigação apontam que o empresário foi abordado e sequestrado na última terça-feira, dia 14 de julho, enquanto circulava pela Zona Norte da cidade. A principal linha de apuração indica que, após a restrição da liberdade, o trabalhador foi transportado até uma localidade que servia de base para um denominado “tribunal do crime” — estrutura clandestina operada por facções para julgar indivíduos sob acusações de condutas contrárias às regras impostas pela liderança do tráfico.
Conforme o detalhamento dos investigadores do caso, os criminosos submeteram o empresário a uma análise sumária interna. Ao final do procedimento de julgamento paralelo, o grupo concluiu que as alegações levantadas contra a vítima não possuíam qualquer tipo de fundamento material. Diante da constatação, os integrantes da facção optaram por revogar a execução e libertaram o empresário.
A força-tarefa de segurança agora concentra os esforços institucionais para esclarecer qual foi a motivação exata por trás da armadilha armada contra o empresário, mapear a identificação de outros participantes civis e militares no plano e verificar se havia uma ordem expressa predefinida para a execução sumária do refém.
Durante o desdobramento da operação, além da ordem de prisão contra o cabo, as equipes deram cumprimento a três mandados de busca e apreensão. Nas vistorias, os policiais civis apreenderam cédulas de dinheiro em espécie e armas de fogo. O montante financeiro passará por perícia contábil para rastrear a origem dos valores, e o armamento passará por conferência documental e balística.
O trabalho de campo recebeu suporte operacional do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e do Departamento de Justiça e Disciplina (DJD) da própria Polícia Militar do Amazonas. Por determinação da comarca responsável, a tramitação de todo o processo penal ocorre sob estrito sigilo de Justiça.
