Adesivos na boca e correntes: como foram as 24 h de ocupação do Congresso

Parlamentares de oposição ocupam desde a noite da última terça-feira (5) as mesas diretoras da Câmara e do Senado em protesto à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro

Por CNN Brasil 06/08/2025 Ă s 19:56

Com bocas cobertas por adesivos e correntes amarradas nas mãos, parlamentares de oposição já ocupam por 24 horas as mesas diretoras da Câmara e do Senado em protesto à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os parlamentares ainda fizeram refeições e tiveram momentos de oração nos plenários das Casas legislativas.

A ação, que também tem como objetivo promover o avanço da proposta de anistia aos condenados do 8 de janeiro e o impeachment do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, acabou obstruindo os trabalhos legislativos e impedindo que a ordem do dia aconteça.

Parlamentares com bocas cobertas por adesivos e correntes amarradas nas mãos/Foto: Reprodução

A exceção foi para as audiências públicas, que não precisam de quórum, ou seja, um número mínimo de deputados e senadores.

O movimento acontece desde a última terça-feira (5), quando os políticos anunciaram que as atividades seriam obstruídas — e que passariam a noite no Congresso.

Durante o dia, deputados e senadores compartilharam nas redes sociais a “rotina” dentro das Casas. VĂ­deos publicados no Instagram mostram o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) dormindo debaixo da mesa diretora.

Outro mostra senadores sentados na mesa com correntes amarradas nas mĂŁos, conversando uns com os outros. Alguns fizeram vĂ­deos na tribuna, local de discurso do plenário, com esparadrapos colados nas bocas, indicando que sofrem uma “censura” por parte do STF.

Ao longo do dia, o senador Marcos do Val retornou ao Senado e exibiu sua tornozeleira eletrônica. A medida foi imposta pelo ministro do Supremo Alexandre de Moraes. O parlamentar permaneceu com um adesivo sobre a boca enquanto colegas de parlamento deram uma entrevista coletiva.

A federação União Progressista, composta pelo União Brasil e PP (Progressistas), orientou que as bancadas não registrassem presença em plenário. Em nota, o grupo classifica como “legítimo o movimento de obstrução feito pela oposição”.

Noite no Congresso

Os parlamentares se revezaram para ocupar as mesas diretoras de ambas as Casas durante a madrugada como forma de protesto à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, imposta na última segunda-feira (4)

Durante a madrugada desta quarta-feira (6), os polĂ­ticos organizaram uma escala noturna para ocupar as mesas diretoras de ambas as Casas.

“NĂłs estamos começando agora uma ação na Câmara e no Senado, ocupando as duas mesas diretoras, e nĂŁo sairemos de ambas as mesas atĂ© que os presidentes das duas Casas se reĂşnam para buscarmos resolver um problema de soberania nacional”, disse o deputado SĂłstenes Cavalcante (RJ), lĂ­der do PL na Câmara, em vĂ­deo publicado nas redes sociais.

No Senado, o revezamento foi feito por mais de dez congressistas. Cada um deles permaneceu no plenário por cerca de duas horas.

De acordo com relatos ouvidos pela CNN, a noite foi “tranquila”.

LĂ­deres das Casas

As medidas fazem parte do chamado “pacote da paz”, anunciado por integrantes da oposição nesta terça durante declaração a jornalistas na rampa do Congresso.

Ainda na tarde de hoje, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou reunião de líderes para debater a situação.

“Vamos passar o dia hoje fazendo conversas com os líderes e mais tarde reunir o colegiado. Só isso. A gente vai avaliar, vamos conversar o dia inteiro hoje”, disse Hugo após a participação no Fórum Saúde do Instituto Esfera Brasil.

Uma reunião também foi convocada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

*Publicado por Maria Clara Matos, com informações de Renata Souza e Mateus Salomão

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