Alan Rick fala sobre candidatura ao Governo e quem pode receber seu apoio em 2024

Alan fez um balanço do mandato e avaliou o primeiro ano do Governo Lula

Por Everton Damasceno, ContilNet 31/12/2023 Ă s 08:01
Senador acreano, Alan Rick/ Foto: Reprodução

Numa sociedade, como a acreana, em que a política está na ordem do dia da vida das pessoas ao ponto de mal acabar uma campanha eleitoral e já se começa a discutir a próxima, o então deputado federal Alan Rick acabou a campanha de 2022, depois de dois mandatos, como senador eleito. E o que se sabia, incluindo as pedras e calçadas de todo Acre, é que o senador eleito seria, fatalmente, candidato à sucessão do governador reeleito Gladson Cameli. Este é o assunto que está na ordem do dia da vida dos acreanos no encerramento deste ano, faltando ainda três anos para aquela eleição. 

Publicamente, o senador ainda não fala sobre o assunto, mas tem demonstrado que poderá, sim, vir a ser candidato ao governo.

Senador acreano, Alan Rick/Foto: Reprodução

Na entrevista a seguir, ele fala sobre o tema, avalia a candidatura do agora emedebista Marcus Alexandre, a quem não considera imbatível na disputa pela Prefeitura, diz que não há disputa interna no UB (União Brasil), seu partido e do qual é presidente regional, reafirma que não haverá coligações com o PT ou outros partidos de esquerda e admite a possibilidade de vir apoiar Alysson Bestene ou Tião Bocalom para a Prefeitura, no ano que vem.

A seguir, os principais trechos de uma entrevista com o senador:

ContilNet: Qual o balanço que o senhor faz da política em 2023? O Brasil avançou ou regrediu?

Alan Rick – O maior avanço polĂ­tico do ano foi a retomada da autonomia e altivez do Senado Federal ante as incursões autoritárias do STF. O Senado aprovou a PEC 8/2021 que limita os poderes das decisões monocráticas de ministros do Supremo, barrou a nomeação do indicado de Lula para a Defensoria PĂşblica da UniĂŁo e por pouco nĂŁo derrotou a indicação de Flávio Dino para a vaga no STF. O Senado tambĂ©m derrubou os vetos presidenciais ao Marco Temporal de terras indĂ­genas, Ă  desoneração da folha de pagamento e ao Estatuto da Simplificação das Obrigações Tributárias AcessĂłrias, matĂ©ria da qual fui relator no Senado. Entre os retrocessos estĂŁo as tentativas do governo Lula de acabar com importantes conquistas do povo brasileiro atravĂ©s do Congresso, como o novo Marco Legal do Saneamento, o fim do imposto sindical obrigatĂłrio, a desoneração da folha de pagamento, a autonomia do Banco Central, entre outras.

Sob Lula, quais as pautas debatidas positivas e as negativas?

Os investimentos internacionais no Brasil caĂ­ram 32% este ano. O Brasil vai fechar 2023 com um dĂ©ficit primário de R$ 203,4 bilhões, ante a um superávit em 2022 (Ăşltimo ano do governo Bolsonaro) de R$ 54,8 bilhões. Lula tentou acabar com a autonomia do Banco Central, um avanço inestimável para garantir a estabilidade do Real. Lula questionou importantes privatizações, taxou as compras internacionais do cidadĂŁo comum em sites como Shopee, Shein e AliExpress. Lula tentou, por decreto, acabar com os avanços do Marco Legal do Saneamento. Com apoio do STF ressuscitou o imposto sindical obrigatĂłrio. Lula contrariou o Congresso ao vetar o Marco Temporal para demarcação de terras indĂ­genas e foi derrotado na sessĂŁo que derrubou os vetos presidenciais. Foram vários retrocessos. De positivo posso citar a retomada do programa Mais MĂ©dicos – fundamental para as cidades do interior, o inĂ­cio da reconstrução da BR-364 que foi uma luta da bancada federal do Acre, Aleac (Assembleia Legislativa do Eatado do Acre), associações comerciais, com apoio do MinistĂ©rio dos Transportes e DNIT.

Como polĂ­tico, o senhor sente saudades do Bolsonaro na presidĂŞncia? Por quĂŞ?

Bolsonaro fez muito pelo Brasil. Junto com o Congresso, aprovou reformas importantes para simplificar a vida dos cidadĂŁos. Criou o PIX; deu 33% de aumento aos professores; deu 92% de desconto para aos alunos que deviam o FIES; aumentou o Bolsa Atleta de R$ 1.000,00 para R$ 8.000,00; possibilitou a transferĂŞncia de veĂ­culos sem cartĂłrio; criou a tecnologia 5G brasileira; obteve recordes na exportação brasileira; obteve superávit na balança comercial; zerou impostos federais para gasolina e gás; reduziu imposto e teve recordes na arrecadação; concluiu a transposição do Rio SĂŁo Francisco – parada há dĂ©cadas; aumentou de R$ 180,00 no Bolsa FamĂ­lia para R$ 600,00 com o programa AuxĂ­lio Brasil; combateu o narcotráfico como nunca antes; instituiu a carteira de motorista agora válida por 10 anos; criou a carteira nacional digital para estudantes; privatizou estatais que nĂŁo funcionavam e davam prejuĂ­zo ao paĂ­s; entregou a vacina da COVID antes de muitos paĂ­ses; recuperou a Petrobras que deu lucro de mais de R$ 40 bilhões, entre outras conquistas.

Alan Rick foi um dos maiores apoiadores do ex-presidente Bolsonaro no Acre/Foto: Reprodução

Regionalmente, como está a questão do União Brasil? O senhor não temeria perder a direção para o suplente de deputado Fábio Rueda, que é irmão e ligado à cúpula nacional da sigla?

Não existe possibilidade de eu “perder” a presidência do União Brasil. É preciso conhecer a legislação. Eu e minha diretoria fomos eleitos por unanimidade em convenção partidária, seguindo todos os trâmites que preconiza a legislação brasileira. Apenas executivas provisórias podem ser dissolvidas por decisão de instância superior. Uma executiva permanente só pode ser dissolvida mediante a comprovação de que o processo de eleição foi forjado ou não cumpriu trâmites exigidos pela lei. Essa disputa com o Fábio Rueda não existe.

Como o senhor ficara ao se definir como um político de direita, dirigindo um Partido que em algumas prefeituras pode até se aliar ao PT?

No que depender de mim, respeitando as questões de cada município, o União Brasil, não apoiará candidatos a prefeito de partidos da esquerda radical. O partido tomará sua decisão sobre as eleições municipais na capital depois de fevereiro de 2024.

A esta altura, já é possível dizer que o UB não terá candidato a prefeito na Capital. O senhor apoiaria o senhor Alysson Bestene, o provável candidato do governador Gladson Cameli?

Não vejo óbice em apoiar o prefeito Bocalom ou o secretário Alysson Bestene, porém, essa decisão só será tomada após fevereiro. Vamos avaliar inclusive a possibilidade de uma candidatura própria do União Brasil. 

Como ver a candidatura do senhor Marcus Alexandre, do MDB. Ele Ă© de fato favorito como dizem as pesquisas?

As pesquisas demonstram uma queda nos números do pré-candidato Marcus Alexandre. A identificação ideológica com o PT deve estar pesando em seu desfavor.

Alan classificou como “boa” a relação entre ele e Gladson/Foto: Ascom

Como será sua relação com o governador Gladson Cameli? 

Boa. Estou trabalhando muito para ajudar o Estado e o governador sabe disso. Temos uma relação de amizade e respeito mútuo.

O senhor será candidato a governador em 2026?

Sou candidato a concluir meu mandato de Senador e ajudar ainda mais o povo do Acre. Vencemos muitos desafios este ano. Conseguimos o compromisso do MinistĂ©rio dos Transportes e do DNIT para reconstruir nossa BR 364. Fizemos várias audiĂŞncias com as empresas aĂ©reas e conseguimos retomar os voos diurnos. Consegui o compromisso da Azul Linhas AĂ©reas para voltar a operar no Acre. Recentemente tambĂ©m negociamos a vinda da Total Linhas AĂ©reas para gerar ainda mais concorrĂŞncia. ConstruĂ­mos um ConsĂłrcio Municipal em parceria com os 22 municĂ­pios e a AMAC para iniciarmos o projeto dos aterros sanitários do Acre – uma das mais importantes ações de saneamento e saĂşde pĂşblica do Estado. Fechamos um importante convĂŞnio com o Hospital de Base de SĂŁo JosĂ© do Rio Preto/SP, que já está ajudando a salvar vidas de acreanos que precisam de cirurgias urgentes de alta complexidade. Retomamos a atuação dos mĂ©dicos brasileiros formados no exterior no Programa Mais MĂ©dicos. Fui eleito presidente da ComissĂŁo de Agricultura e Reforma Agrária do Senado e aprovamos importantes projetos favoráveis Ă  nossa agropecuária. E por fim, fui eleito o 3Âş melhor senador do Brasil e melhor parlamentar federal do Acre pelo Ranking dos PolĂ­ticos, entre outras vitĂłrias neste ano.

ConteĂşdo Original / Fonte: TiĂŁo Maia, ContilNet

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