Com Alan e Mailza em guerra, Bocalom pode mudar os rumos da eleição na reta final
As pesquisas mais recentes sobre a disputa pelo Governo do Acre começam a desenhar um cenário cada vez mais claro: Alan Rick e Mailza Assis aparecem à frente, enquanto Tião Bocalom ocupa a terceira posição, mantendo um percentual de votos que o coloca no centro da disputa.
Na Quaest, divulgada em agosto, Alan apareceu com 33%, Mailza com 24% e Bocalom com 15%. Na Delta, os números foram 32,50%, 29,32% e 15,01%, respectivamente. Já o levantamento Veritá, realizado entre o fim de agosto e o início de setembro, mostrou Alan com 39,8%, Mailza com 27,9% e Bocalom com 11,7%.
Os números ainda podem mudar até a abertura das urnas. Mas, se a tendência de uma disputa concentrada entre Alan e Mailza se mantiver e os dois chegarem ao segundo turno, haverá uma pergunta inevitável: para onde irão os votos de Bocalom?
É aí que o ex-prefeito de Rio Branco passa a ocupar uma posição particularmente relevante.
Com uma votação que, dependendo do levantamento, gira em torno de 12% a 15%, Bocalom tem um eleitorado que poderá ser disputado pelos dois candidatos que eventualmente avançarem para a segunda etapa.
Em uma eleição apertada, essa transferência pode fazer diferença. Não significa que todos os seus eleitores seguirão automaticamente sua orientação, mas o posicionamento do candidato derrotado terá peso na campanha do segundo turno.
Por isso, Bocalom pode chegar à reta final não apenas como o terceiro colocado, mas como um dos nomes capazes de interferir diretamente no desfecho da disputa.
Bocalom não pode ser subestimado
Apesar de aparecer em terceiro lugar nas pesquisas, seria um erro tratar Bocalom como um personagem secundário da eleição.
A própria trajetória recente mostra que pesquisa e urna nem sempre contam exatamente a mesma história. Em 2020, Bocalom chegou ao segundo turno para a Prefeitura de Rio Branco e terminou eleito com 62,93% dos votos válidos. Quatro anos depois, foi reeleito no primeiro turno, com 54,82%.
É verdade que os contextos são diferentes e que pesquisas recentes já captaram Bocalom em posições variadas. Mas há um dado político objetivo: ele tem histórico de transformar uma candidatura competitiva em votação expressiva quando as urnas são abertas.
É por isso que os atuais 12% a 15% não podem ser tratados simplesmente como um teto eleitoral.
A força da prefeitura
Bocalom também disputa o governo carregando consigo uma estrutura política construída durante os anos à frente da Prefeitura de Rio Branco.
Ao deixar o cargo para disputar o governo, quem assumiu a prefeitura foi justamente Alysson Bestene, seu então vice. E Alysson decidiu manter o apoio ao ex-prefeito, mesmo permanecendo no PP, partido de Mailza.
O apoio não é apenas simbólico. Pesquisa Delta divulgada em agosto apontou 52,48% de aprovação à administração de Alysson entre os eleitores de Rio Branco, contra 35,64% de desaprovação.
Isso dá a Bocalom um ativo eleitoral importante na capital, onde está concentrada uma parcela significativa do eleitorado acreano.
Alysson, portanto, tornou-se uma das pontes entre a gestão municipal e a campanha de Bocalom. E fez isso mesmo com a candidata do seu próprio partido disputando o Palácio Rio Branco.
A terceira via que pode mudar a eleição
Há ainda outro elemento nessa equação.
Alan e Mailza protagonizam uma disputa cada vez mais direta. Os dois têm trocado críticas e ataques durante a campanha, e a eleição vai ganhando contornos de uma disputa marcada pela polarização entre os dois principais nomes.
Nesse ambiente, Bocalom pode ocupar um espaço diferente.
Não necessariamente como alguém capaz de ultrapassar os dois primeiros colocados, mas como uma alternativa para o eleitor que não se identifica com a briga entre Alan e Mailza.
Se essa parcela do eleitorado crescer na reta final, Bocalom pode ampliar sua votação. E, se o cenário caminhar para um segundo turno entre Alan e Mailza, seus votos passam a ser ainda mais cobiçados.
No fim, a eleição pode chegar a uma situação curiosa: o candidato que hoje está em terceiro lugar pode ser justamente aquele cuja posição mais interessará aos dois primeiros.
Bocalom ainda precisa provar que consegue transformar seus atuais percentuais em uma votação maior. Mas, se a disputa realmente se concentrar entre Alan e Mailza, uma coisa já parece clara: os votos de Bocalom estarão entre os mais disputados da reta final.