05/09/2026

“Brasil não aceita que ninguém meta o nariz onde não é chamado”, diz Lula sobre tensão com EUA

Em evento em São Bernardo do Campo, presidente diz que país manterá crescimento sem interferências

Por Fhagner Soares, ContilNet
Declaração ocorre após sobretaxas americanas às exportações e ataques de Javier Milei em convenção do PL/ Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reitera a posição de soberania do Brasil ao responder às recentes pressões diplomáticas e comerciais internacionais. Durante cerimônia neste domingo (26/7), o chefe do Executivo afirmou que o país continuará a registrar indicadores econômicos positivos sem submissão a agentes externos.

O pronunciamento ocorreu na posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), entidade agora presidida por Wellington Damasceno para o triênio 2026–2029.

“É esse país que a economia cresce, que o PIB cresce, que a inflação desce e que a renda do trabalhador cresce, que a gente vai continuar fazendo sem aceitar ingerência de ninguém”, declarou o presidente durante o evento. “A gente, aqui no Brasil, não aceita que ninguém meta o nariz onde não é chamado, porque o Brasil sabe cuidar de si.”

A declaração do petista ocorre em um momento de endurecimento do quadro diplomático com a administração de Donald Trump nos Estados Unidos. A relação bilateral se desgastou após Washington determinar tarifas de até 37,5% sobre produtos exportados pelo Brasil. O ambiente diplomático registrou novo ruído com a negação de visto por parte de Brasília a autoridades norte-americanas que, segundo o governo brasileiro, pretendiam contestar o sistema eleitoral do país.

Neste mesmo domingo, Lula assina um artigo de opinião no periódico The Washington Post, no qual classifica as barreiras comerciais impostas pela Casa Branca como “injustas” e “sem amparo técnico”.

O posicionamento do presidente também sucede aos ataques proferidos pelo líder da Argentina, Javier Milei, no sábado (25/7). Presente na convenção do Partido Liberal (PL) que homologou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, em São Paulo, o governante argentino direcionou ofensas a Lula, chamando-o de “ladrão” e “presidiário”.

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