Ao falar sobre ‘ruínas’ do Instituto Santa Juliana, Jorge faz críticas indiretas ao governo do irmão

Por Wania Pinheiro, ContilNet 25/11/2017 às 19:18

O senador Jorge Viana (PT) esteve em Sena Madureira na manhã deste sábado (25) inaugurando o antigo mercado municipal, que ganhou cara nova após a liberação de uma emenda de sua autoria.

Durante a cerimônia de inauguração, o senador petista destacou o empenho dos secretários municipais Cirleudo Alencar e Tião Lucena, para a concretização do projeto de reforma, mas também fez críticas indiretas ao governo do irmão, Tião Viana ao lembrar que um patrimônio histórico do Iaco, como o Instituto Santa Juliana, esteja hoje em estado deplorável.

“Hoje estamos aqui resgatando um pouco da memória do município. Eu sempre trabalhei com a ideia da memória, mas hoje estou triste porque aquele espaço que restaurei, o Santa Juliana, onde fizemos um museu com tanto gosto… Nós temos que achar uma solução… …Se a gente não valorizar a nosso memória, os nossos pais, os nossos avós, a história da cidade, a gente está sendo egoísta, não está sendo correto”, disse Viana.

Santa Juliana está abandonado há cerca de quatro anos/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet

“Jorge estava com a voz meio embargada, melancólico, triste. Estava diferente daquele Jorge Viana que sempre teve um discurso seguro, eloquente e que deixava o coração da gente vibrando. Achei ele triste e evitando falar sobre o governo do irmão”, disse um militante da Frente Popular do Acre.

Durante sua fala, em evento com poucas pessoas, Jorge Viana não falou em nenhum momento no nome do governador Tião Viana, mas elogiou o prefeito Mazinho Serafim, seu adversário político.

“Esse meu mandato é para ajudar o Acre, para fazer a boa política, para fazer a política que ajuda as pessoas. Quando eu preciso de alguma coisa para o Acre vou atrás dos políticos do PMDB, do PSDB, de outros partidos, e eles sempre ajudam. Não sou arrogante, achar que só o PT é bom e os outros partidos são errados. Esse ato aqui hoje passa um ensinamento pra gente, o ensinamento de conviver bem com os outros, independente de sermos diferente”, disse Jorge.

Aulas da escola vem sendo ministradas em um anexo/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet

Abandono

Uma matéria publicada pela ContilNet em 2 de agosto do ano passado mostra o abandono em que se encontra a escola que já foi motivo de orgulho para o Acre. O local está fechado há cerca de quatro anos, após uma avaliação do Corpo de Bombeiros e o Ministério Público ter instaurado um inquérito. Mas ficou nisso até hoje, sem nada ter se resolvido.

No dia 7 de setembro deste ano a escola completou 95 anos totalmente esquecida pelo poder público. “Além de ser patrimônio histórico importante, já formou grandes nomes acreanos e muitas gerações, mesmo assim, hoje se encontra destruída e interditada pelo Corpo de Bombeiros”, diz o trecho de uma matéria de ContilNet publicada em 2016.

Mesmo com todos os problemas que vem enfrentando, em 2016 uma avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) deu a escola uma média 4.6, além de conquistar o 3º lugar no Prêmio Gestão Escolar 2015, consagrando-se como melhor instituição de ensino de Sena Madureira.

As aulas da escola vem sendo ministradas em um anexo construído ainda no governo de Jorge Viana.

Histórico do Instituto Santa Juliana

O Instituto Santa Juliana é uma escola de Ensino Fundamental e Médio mantida pelo Poder Público Estadual. A instituição foi inaugurada em 7 de setembro de 1922 pelos Servos de Maria. Funcionava inicialmente em uma casa de madeira do Dr. Virgulino de Alencar, Juiz de Direito.

Inicialmente, a escola funcionava com os antigos ensinos Primário e Ginásio, tendo como professores as próprias Irmãs e outros professores de renome. Recebia alunos de quase todo o Estado, que estudavam sob o regime de internato.

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Em 27 de outubro de 1936 o Instituto Santa Juliana foi fechado e as Irmãs Servas de Maria Reparadoras retornaram à Itália. Após cinco anos, em 1º de julho de 1941, o estabelecimento de ensino foi reaberto em regime de internato e externato para meninas, novamente sob a direção das Irmãs Serva de Maria Reparadoras.

Em 1969, a escola oferecia os cursos de Jardim de Infância, Primário e Normal Regional. Administrado pelas Irmãs até dezembro de 1977, teve como última diretora a Irmã Maria Marinella Brizzi.

Foto antiga mostra escola em seu início, em 1922/Foto: Divulgação

Em janeiro de 1978, a Diocese fez um acordo com a Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Acre, no qual as partes concordaram que o governo assumiria toda a responsabilidade pelo funcionamento da instituição de ensino.

Em 1980 a escola foi fechada novamente por falta de condições físicas e todos os estudantes transferidos para a escola Eliziário Távora. Foi então que em 1985, graças aos esforços dos Padres Paolino Maria Baldassarri e Heitor Maria Turrini, que sempre mantiveram o ideal de reabertura da escola, conseguiram a reforma do Instituto junto à comunidade.

Após funcionar como escola de Ensino Médio e Fundamental, atualmente, o Instituto Santa Juliana, de propriedade da Diocese de Rio Branco, tem seu registro reconhecido e ratificado pelo Governo do Estado sob o Decreto nº 8.721, de 1º de outubro de 2003, como escola de Ensino Fundamental. A direção do Instituto é exercida pela professora Arthuriette Gonçalves de Oliveira, reeleita pela comunidade escolar em 2016.

O histórico do Instituto Santa Juliana foi elaborado pela direção e professores da instituição, que completará 94 anos no dia 7 de setembro deste ano.

Conteúdo Original / Fonte: Wania Pinheiro, da ContilNet

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