Roberto Jefferson fala sobre polítical, fé e expectativas para o PTB no Acre

Por Marina, ContilNet 23/04/2017 às 17:09

Roberto Jefferson falou com exclusividade à ContilNet /Foto: Wânia Pinheiro/ContilNet

Em entrevista à ContilNet, o presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson, famoso por denunciar o “Mensalão” – esquema de compra de votos no Congresso Nacional – fala sobre Operação Lava Jato, fim das eleições proporcionais, reforma trabalhista, fé e as expectativas para a sigla com a condução da empresária e publicitária Charlene Lima à presidência do partido no Acre.

Além dos problemas vividos após denunciar o Mensalão, Jeferson teve sérios problemas de saúde ao ser vítima de um câncer no pâncreas, . “Nunca mais fiquei 100%. Tive um tumor de pâncreas que estava bem espalhado”, revela o presidente do PTB.

Confira a entrevista:

CONTILNET – Roberto Jefferson, o senhor vê alguma semelhança entre o esquema do mensalão com a Operação Lava Jato?

ROBERTO JEFFERSON – O mensalão é uma pequena amostra do que vemos hoje com a Operação Lava Jato. Os números do mensalão são ínfimos diante dos escândalos revelados na Lava Jato no Brasil, mas o modo operante é o mesmo do mensalão. Fala-se muito que fulano recebeu propina, mas é preciso saber distinguir delito eleitoral do crime de corrupção.

A formação de caixa 2 nem sempre está relacionado a propina, por exemplo, no caixa 2: se o sujeito recebeu dinheiro e não deu nada em troca, isso constitui em delito eleitoral. Agora, fazer um contrato com uma empreiteira para beneficiar a Petrobras, isso é corrupção.

CONTILNET – Como o senhor avalia o Brasil pós Lava Jato?

ROBERTO JEFFERSON – Creio que irá gerar uma grande mudança, tanto nos agentes públicos, como nas práticas. Eu entendo que precisamos de uma nova Constituinte com regras que beneficiem mais os Estados. É preciso também mudar a estrutura tributária dos estados e, acima de tudo, esvaziar essa hiperconcentração de poder do Governo Federal.

Se não mudar isso vai ter sempre – de tempo em tempo – um tiranete, um populista de direita ou um populista de esquerda. Isso vai acontecer mais com populistas de esquerda para usar o poder desse estado imperial, unitário e centralizado. No Brasil, 70% dos recursos do Orçamento Geral ficam retidos pelo Governo Federal, e isso é uma brutal inversão de valores. Aos estados cabe 22% e apenas 8% para os municípios.

Você olha para países como a Alemanha e vê a pujança dos municípios. Lá, eles fatiam em: 33, 33, 33%. Brasília não é a síntese do Brasil, a prática de Brasília não é a síntese das famílias de todos os estados do país. A vida não começa em Brasília e, sim, nos municípios. Brasília tem muito poder concentrado e isso é uma coisa muito ruim que facilita o que se vemos hoje: duas empresas grandes que dominam o país e controlam o dinheiro: OAS e Odebrecht.

Quando há muito poder concentrado e somado à influência do poder de um homem populista, encastelado no poder central, ocorre o que acompanhamos agora nos noticiários. O país precisa partilhar esse poder.

CONTILNET – Como presidente do PTB, o senhor já se posicionou favorável a mudança das eleições proporcionais para o sistema de lista fechada. De fato, o que se pode enxergar de bom nessa mudança para o Brasil?

ROBERTO JEFFERSON – Eu defendo um modelo de eleição majoritária em todos os níveis e acabar com as proporcionais. Acredito que esse modelo irá reduzir em 60% a corrupção e gastos de campanha. Um exemplo: o Acre tem 8 Federais, então se precisa de 24 candidatos lançados, ou seja, três vezes o número da chapa.

Sabemos que 2 ou 3 tem reais chances de serem eleitos, outros 21 têm que serem bancados. Isso gera o que chamamos de ‘rabicho’, que custa uma fortuna! É dinheiro que você tem que dar para o cara fazer a campanha, custear a gasolina, pagamentos e ainda fechar apoios: dar emprego na máquina pública, entre outros favores/acordos. Por isso, defendo o fim das proporcionais, acredito que reduziria em 60%.

CONTILNET- No governo de Temer, o senhor se posiciona favorável ou contrário à Reforma Trabalhista?

ROBERTO JEFFERSON – Veja bem, a CLT tem 70 anos, as relações já estão ultrapassadas. Com a reforma, os direitos como férias e décimo terceiro vão permanecer. O que muda é essa facilidade de se judicializar tudo.

Hoje se vive no Brasil o interesse de judicializar tudo, com a forte interferência do MP e da Justiça do Trabalho não há segurança jurídica para quem gera emprego no Brasil. É preciso reduzir a judicialização e favorecer a modernização das relações de trabalho, porque os geradores de emprego estão acumulando um brutal passivo.

CONTILNET – O senhor foi acometido de um câncer de pâncreas, como foi vencer essa luta em meio a tantas pressões políticas?

Roberto nomeou Charlene Lima, como a presidente do PTB no Acre /Foto: ContilNet

ROBERTO JEFFERSON – Nunca mais fiquei 100%. Tive um tumor de pâncreas que estava bem espalhado. Foi preciso me submeter a uma cirurgia extensa que culminou com a retirada de vesícula, três metros de intestino e um terço de fígado. Tenho muitas restrições e algumas dificuldades metabólicas. Mais do que nervos de aço, para suportar e vencer essa doença, é preciso muita fé em Deus!

CONTILNET- Qual a sua expectativa em relação ao PTB no Acre?

ROBERTO JEFFERSON – No Acre estamos sob nova direção. Acredito que a história pessoal de sucesso da Charlene irá contribuir para construir o partido no Acre. Tenho a certeza que pelo sucesso e dinamismo dela o PTB voltará a ser grande.

Temos um projeto político-partidário e de país, que estamos construindo em todo o Brasil, que será possível com a participação de pessoas qualificadas, dedicadas e corajosas, como Charlene Lima. Ela está à frente de um grande desafio, mas tenho confiança na sua força de vontade e visão empreendedora para que o PTB tenha força e maior representatividade no Acre.

Conteúdo Original / Fonte: WÂNIA PINHEIRO, DE BRASÍLIA PARA CONTILNET

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