EUA colocam PCC e CV em lista de organizações terroristas

Decisão do governo norte-americano amplia pressão internacional sobre facções brasileiras e reacende debate sobre definição de terrorismo no país

Por Dry Alves, ContilNet 28/05/2026 às 18:59
EUA colocam PCC e CV em lista de organizações terroristas/Foto: Reprodução

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (28) a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida, divulgada pelo Departamento de Estado norte-americano, passa a valer a partir de 5 de junho e também enquadra as facções na categoria de “terroristas globais especialmente designados”.

Segundo as autoridades dos EUA, PCC e CV estão entre os grupos criminosos mais violentos do Brasil, com atuação ligada ao tráfico de drogas, homicídios, ataques armados e ações contra agentes públicos e civis.

A decisão amplia o alcance de sanções internacionais contra integrantes e pessoas ligadas financeiramente às organizações. Na prática, a classificação permite bloqueios de bens, restrições financeiras e medidas de cooperação internacional mais rígidas envolvendo investigações e movimentações suspeitas.

O anúncio ocorre um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo informações divulgadas nas redes sociais e na imprensa, Rubio teria demonstrado apoio à medida.

O tema já vinha gerando divergências entre autoridades brasileiras e norte-americanas. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendia que as facções não se enquadram na definição de terrorismo prevista na legislação brasileira.

Integrantes do Ministério da Justiça argumentam que PCC e CV atuam principalmente com foco econômico e financeiro, por meio do crime organizado e da lavagem de dinheiro, sem motivação ideológica, política ou religiosa — elementos normalmente associados à tipificação de terrorismo em diversos países.

A decisão dos Estados Unidos reacende o debate sobre a atuação transnacional das facções brasileiras, especialmente em regiões de fronteira e rotas internacionais do narcotráfico. Nos últimos anos, relatórios internacionais passaram a apontar a expansão das organizações criminosas brasileiras para outros países da América do Sul.

Com informações Bacci Notícias

Conteúdo Original / Fonte: Redação ContilNet

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