Ex-comandante da FAB rebate Flávio Bolsonaro e nega apoio a Lula após sabatina
O brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) no governo Jair Bolsonaro, rebateu declarações dadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) durante entrevista ao Jornal Nacional na noite de sexta-feira.
Na sabatina transmitida pela Rede Globo, o candidato do PL à Presidência desqualificou o depoimento prestado pelo militar à Justiça sobre a investigação de uma tentativa de golpe de Estado no final da gestão anterior. Na ocasião, o senador afirmou que o relato do ex-comandante não tinha gravidade por se tratar de “uma pessoa que hoje está pedindo voto para o Lula”, classificando o brigadeiro como parcial.
Em publicação divulgada neste sábado (29), Baptista Júnior chamou a alegação do parlamentar de “leviandade” e afirmou que a declaração serviu para evitar respostas sobre as apurações judiciais.
“A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula, apresentada para não abordar a verdadeira pergunta colocada no debate de ontem, na Globo, é antes de tudo uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê-la — algo entendido na figura de filho, mas não de alguém que se proponha a nos presidir”, escreveu o militar.
O ex-comandante da FAB disse desconhecer a origem da afirmação sobre o suposto apoio político e citou o lançamento do seu livro de memórias, intitulado “Eu disse não! Uma trincheira antigolpista”, previsto para chegar às livrarias em setembro.
A controvérsia também gerou reação do senador Rogério Marinho (PL-RN), que atua na coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro. Marinho publicou nas redes sociais um trecho da entrevista no JN e declarou que depoimentos de apoiadores do atual governo não podem ser tratados como verdade absoluta.
Em resposta ao senador, o brigadeiro sugeriu que a campanha evite posturas agressivas no debate político e fez menção a episódios históricos da política nacional, como a mobilização popular dos chamados “caras-pintadas” na década de 1990.
Baptista Júnior atuou como testemunha arrolada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na Ação Penal 2668, que tramitou no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a articulação de um golpe de Estado após as eleições de 2022.
Em depoimento prestado em maio de 2025, o ex-chefe da Aeronáutica confirmou aos ministros do STF que o então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, advertiu Jair Bolsonaro sobre a possibilidade de prisão caso o ex-presidente tentasse reter o poder fora dos limites constitucionais.
O episódio da recusa dos militares em aderir a planos de ruptura institucional é o tema central da obra escrita pelo brigadeiro, com lançamento marcado para o próximo mês.