O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 27, a PEC 221/2019, proposta que reduz a jornada máxima de trabalho no Brasil e estabelece o fim da escala 6×1. A deputada federal Socorro Neri, uma das autoras da PEC 8/2025, apensada ao projeto aprovado, comemorou a aprovação do texto e destacou que a medida representa “mais dignidade para o trabalhador brasileiro”.
“Essa Ă© uma luta histĂłrica. O trabalhador brasileiro precisa ter direito ao descanso, ao convĂvio com a famĂlia, ao lazer e Ă qualidade de vida. Aprovar esse texto Ă© dar um passo importante rumo a relações de trabalho mais humanas e justas”, afirmou a parlamentar.
O texto aprovado reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, mantendo o limite de 8 horas diárias, e institui dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
A proposta tambĂ©m prevĂŞ regras de transição. ApĂłs 60 dias da publicação, a jornada máxima passará para 42 horas semanais e, apĂłs mais 12 meses, será reduzida definitivamente para 40 horas. O texto proĂbe qualquer tipo de redução salarial e amplia essa proteção tambĂ©m aos pisos salariais.
Outro ponto aprovado garante que as novas regras sejam aplicadas aos contratos de trabalho já em vigor e determina que cláusulas de acordos ou convenções coletivas incompatĂveis com a nova legislação percam validade apĂłs 60 dias.
A PEC ainda autoriza regimes compensatórios por acordo ou convenção coletiva, desde que seja assegurada, na média mensal, a existência de dois dias de repouso semanal. Mesmo nesses casos, o texto determina ao menos um dia de descanso dentro de cada semana trabalhada.
TambĂ©m foram aprovadas medidas especĂficas para micro e pequenas empresas, mediante futura regulamentação por lei complementar, alĂ©m de regras de adaptação para contratos administrativos, concessões e parcerias pĂşblico-privadas, preservando o equilĂbrio econĂ´mico-financeiro desses contratos.
Socorro Neri reforçou que a proposta busca equilibrar desenvolvimento econômico e proteção social.
“Não estamos falando apenas de números ou carga horária. Estamos falando de saúde mental, convivência familiar, produtividade e dignidade humana. O Brasil precisa avançar nessa pauta”, finalizou.
Com a aprovação no Plenário da Câmara, a proposta segue agora para apreciação do Senado Federal.

