Fim da escala 6×1: comissĂŁo especial aprova parecer na Câmara

Por Redação ContilNet 27/05/2026 às 14:55
Fim da escala 6x1: como empresas antecipam mudanças na jornada de trabalho na região de Campinas — Foto: Reprodução/EPTV

O debate nacional sobre as relações trabalhistas no paĂ­s deu um passo decisivo no Congresso Nacional. A comissĂŁo especial da Câmara dos Deputados aprovou, na tarde desta quarta-feira (27), o texto-base da Proposta de Emenda Ă  Constituição (PEC) que estabelece a redução da jornada de trabalho e decreta o fim da escala 6×1. O parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), foi chancelado por um placar expressivo de 34 votos a favor e apenas 4 contra.

Graças a uma manobra de celeridade articulada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que abriu e fechou sessões extras em poucos minutos para vencer os prazos regimentais de vista, o texto ganhou tração e tem previsão de ser pautado para votação em plenário ainda hoje.

A Nova Carga Horária: O consenso político alterou as propostas originais de 36 horas dos deputados Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG). O texto final crava o limite máximo de 40 horas semanais (redução de 4 horas), mantendo o limite de 8 horas diárias.

Transição gradual e o fim definitivo da escala 6×1

O modelo de implementação da nova lei foi a principal moeda de troca entre as alas partidárias e confederações empresariais. De acordo com as informações institucionais publicadas pelo portal G1, o texto fixa um período de transição de até 14 meses para a redução total da carga horária de relógio, dando fôlego de adaptação ao mercado financeiro e de comércio.

Conforme os dados jurídicos detalhados na cobertura do G1, as regras de transição e folgas funcionarão da seguinte forma:

  • Duas Folgas Semanais: O fim da escala 6×1 entra em vigor 60 dias apĂłs a promulgação da PEC. A partir desta data, o trabalhador ganha o direito a pelo menos duas folgas na semana, sendo uma delas preferencialmente aos domingos;

  • Primeiro Corte de Horas: Redução de duas horas na jornada semanal em atĂ© dois meses apĂłs a promulgação;

  • Corte Definitivo: Redução das quatro horas totais em atĂ© 12 meses apĂłs a conclusĂŁo da primeira etapa.

Segundo o texto apurado pelo G1, decorridos os primeiros 60 dias da promulgação, todas as convenções e acordos coletivos vigentes que forem incompatíveis com as novas regras perderão a validade de forma automática. Essa medida funciona como uma trava legal para forçar sindicatos e indústrias a renegociarem os turnos.

Relator Leo Prates lê relatório sobre o fim da escala 6x1 — Foto: Reprodução

Relator Leo Prates lĂŞ relatĂłrio sobre o fim da escala 6×1 — Foto: Reprodução

Quem fica de fora e os próximos passos em plenário

A regra aprovada, no entanto, nĂŁo possui caráter universal. Para evitar a chamada “pejotização” e garantir flexibilidade de produção, o relator abriu uma exceção importante: profissionais com diploma de nĂ­vel superior e que recebam remuneração superior a duas vezes e meia o teto do INSS (o equivalente a cerca de R$ 21,1 mil atualmente) estarĂŁo dispensados do controle de ponto e das limitações de jornada.

Por se tratar de uma alteração no texto da Constituição Federal, o trâmite agora exige rigor máximo. O parecer segue para o plenário principal da Câmara dos Deputados, onde precisará colher os votos favoráveis de, no mínimo, 308 parlamentares, em dois turnos de votação. Se aprovada, a matéria segue para análise e nova votação no Senado Federal.

FAQ

Como vai funcionar a folga com o fim da escala 6×1?

Aprovada a PEC, o trabalhador passa a ter direito a pelo menos duas folgas remuneradas por semana (escala 5×2), sendo que um dos dias de descanso deve ser gozado preferencialmente aos domingos.

Qual o prazo para as empresas reduzirem a jornada de trabalho?

O fim da escala 6×1 entra em vigor 60 dias apĂłs a promulgação da PEC. Já a redução total das 4 horas semanais de trabalho (de 44 para 40 horas) será implementada de forma gradual em atĂ© 14 meses.

Todo trabalhador terá direito ao limite de 40 horas semanais?

Não. Ficam excluídos da nova regra os profissionais de alta renda que possuem diploma de nível superior e recebem salários acima de R$ 21,1 mil (duas vezes e meia o teto do INSS).

Acompanhe os votos dos deputados em plenário e todos os desdobramentos econômicos desta grande reforma trabalhista em nossa cobertura de política nacional.

Conteúdo Original / Fonte: Redação, ContilNet

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