O ministro da Fazenda, Fernando Haddad reconheceu que as chamadas exceções, ou seja, os novos benefĂcios tributários que o relator da reforma tributária (Proposta de Emenda Ă Constituição 45/2019) no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), incluiu em sua proposta alternativa ao texto já aprovado pela Câmara dos Deputados elevarĂŁo em 0,5 ponto percentual a alĂquota-padrĂŁo do futuro Imposto sobre Valor Adicionado (IVA). Apesar disso, o ministro garante que, comparativamente, a alĂquota-mĂ©dia tende a cair para a maioria dos contribuintes.


Foto: Marcelo Camargo/AgĂŞncia Brasil
“Em relação Ă versĂŁo [da PEC] que saiu da Câmara, [o texto alternativo apresentado por Braga] aumenta [a alĂquota-padrĂŁo] em cerca de meio ponto”, disse o ministro a jornalistas, no inĂcio da tarde desta quinta-feira (2). “Já a alĂquota mĂ©dia Ă© a mesma, porque a reforma tributária nĂŁo tem aumento de carga […] Na verdade, a alĂquota mĂ©dia será menor que a de hoje, pois, quando vocĂŞ diminui o litĂgio e a sonegação, há uma ampliação da base e a alĂquota mĂ©dia tende a cair”, acrescentou o ministro.
ApĂłs a Câmara aprovar o texto-base da reforma tributária, em julho deste ano, o MinistĂ©rio da Fazenda calculou que, considerando as exceções aprovadas pelos deputados, a alĂquota-padrĂŁo do IVA ficaria entre 25,45% e 27%, ao passo que a tributação sobre o consumo cairia abaixo dos atuais 34,4%. Os cálculos foram realizados com base na premissa de que a reforma nĂŁo elevará a carga tributária (peso dos tributos sobre a economia), mantendo a arrecadação dos tributos sobre o consumo na proporção de 12,45% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e dos serviços produzidos).
Hoje, apĂłs se reunir por mais de duas horas com o senador Eduardo Braga, com tĂ©cnicos do ministĂ©rio e consultores do Senado que assessoram o relator da proposta, Haddad assegurou que, mesmo com as novas exceções incluĂdas para beneficiar alguns setores produtivos, a alĂquota-padrĂŁo nĂŁo deverá chegar a 28%.
“Estamos dando transparência a tudo, pois temos o compromisso de não usar a PEC [proposta de emenda à Constituição] para aumentar a carga tributária, mas sim, justamente, para fazer a transição. Por isso, todo mundo tem que saber do impacto que isso vai gerar”, comentou o ministro, reafirmando sua posição.
“A posição [do MinistĂ©rio da] Fazenda Ă© conhecida desde o começo. Quanto menos exceções, melhor para o paĂs. Mas Ă luz da situação atual […] entendemos que, para compor a maioria [no Congresso Nacional e conseguir a aprovação da reforma tributária], vamos ter que contar votos. […] Tanto o deputado federal Aguinaldo Ribeiro [relator da PEC na Câmara], quanto o senador Eduardo Braga tĂŞm o compromisso de aprovar a reforma. Eles sabem das dificuldades, dos grupos de interesse que se manifestam ali [no Congresso Nacional], onde o jogo Ă© bruto. As pessoas precisam resistir tanto quanto possĂvel, com bom senso, com argumentos, para compor os votos necessários. Precisamos de 49 votos para aprovar uma PEC, mas queremos passar de 60”, comentou Haddad, assegurando que as negociações em torno da proposta original do governo visam dar ao projeto um caráter suprapartidário, facilitando sua aprovação.
“Estamos muito seguros de que o relatĂłrio está bem-feito; que, se Deus quiser, vamos ter uma maioria boa no Senado e que vai ser possĂvel promulgar a emenda constitucional ainda este ano […] Penso que vamos concluir uma tarefa histĂłrica. Há 40 anos se anuncia uma reforma tributária no Brasil e penso que, enfim, vamos finalizá-la. VĂŁo perguntar: Ă© perfeita? Nada Ă© perfeito, mas Ă luz do que temos, o salto de qualidade que vamos dar em relação ao nosso atual sistema tributário, Ă© inestimável”, sublinhou o ministro.
No Senado, a PEC 45 deve ser votada apenas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário. A expectativa é que o texto que o senador Eduardo Braga apresentou na última quarta-feira (25) seja discutido e votado na CCJ já na próxima terça-feira (7). O próprio relator, contudo, admite que o texto ainda pode sofrer alterações, já que recebeu mais de 700 emendas parlamentares.
“Teremos pequenos ajustes, alguns apenas de redação. SĂŁo ajustes finos que estĂŁo sendo feitos para termos mais segurança jurĂdica e para que o texto apresentado represente simplificação, transparĂŞncia, equilĂbrio federativo e neutralidade. É importante termos a trava da carga tributária para que nĂŁo haja aumento de tributos”, comentou Braga ao deixar o gabinete do ministro. Segundo o senador, cerca de 250 emendas ao texto original já foram acolhidas. O parlamentar, contudo, nega ter ampliado o regime de exceções.
“NĂŁo acho que aumentamos as exceções. Ao contrário. Metricamente, o Senado fez reduções de algumas exceções. IncluĂmos algumas que sĂŁo absolutamente necessárias. Entre elas, saneamento pĂşblico, um dos grandes dĂ©ficits sociais deste paĂs”, afirmou Braga, destacando que sua proposta prevĂŞ que os tributos sejam revistos a cada cinco anos “para garantir que os benefĂcios concedidos por meio de regimes diferenciados possam ser avaliados pelo Congresso Nacional”.
Braga disse não ter recebido qualquer novo pedido do ministro Haddad durante a reunião deste Dia de Finados e que, basicamente, a estrutura do relatório que será levado à votação na CCJ é o já apresentado na semana passada. “[Hoje] fizemos uma avaliação sobre as mais de 700 emendas apresentadas ao texto da emenda constitucional. Analisamos ponto a ponto o relatório e estamos muito otimistas de que, na semana que vem, a partir do dia 7, na CCJ, e nos dias 8 e 9, no plenário, estaremos deliberando a reforma tributária em primeiro e segundo turno.”



