O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, subiu o tom da retórica diplomática e militar neste sábado (18) ao se manifestar publicamente sobre a retomada dos confrontos envolvendo as forças armadas do país e dos Estados Unidos. Em declarações veiculadas por canais digitais, a principal autoridade política e religiosa da nação persa atacou o governo americano, classificando o país ocidental como “Grande Satã”, e acenou com retaliações severas aos adversários.
A forte reação institucional por parte de Teerã ocorreu um dia após o Pentágono confirmar baixas em suas fileiras operacionais na região. Segundo relatórios oficiais divulgados pelas Forças Armadas norte-americanas, um ataque promovido por bases iranianas contra uma instalação militar localizada na Jordânia resultou na morte de dois soldados dos EUA e deixou um terceiro militar na condição de desaparecido.
A escalada bélica entre Washington e Teerã acontece em um momento crítico, logo após as partes terem estabelecido a assinatura de um memorando de entendimento com o objetivo de frear o conflito regional. De acordo com a leitura de Khamenei, a continuidade das ações militares norte-americanas esvaziou o peso prático do documento de paz.
O líder máximo iraniano declarou que a repetição de violações de tratados por parte dos Estados Unidos comprova que as garantias e a assinatura do presidente Donald Trump perderam o valor legal e prático. O clérigo acrescentou ainda que práticas de intimidação, hegemonismo e barbárie operam como componentes fixos da doutrina de atuação da geopolítica estrangeira na região do Oriente Médio.
Em um segundo desdobramento de suas manifestações, Mojtaba Khamenei alertou que o empenho da Casa Branca em prolongar e alimentar o estado de guerra fará com que o governo dos Estados Unidos acumule desgastes financeiros e episódios de humilhação internacional. O mandatário assegurou que a chamada frente de resistência islâmica dispõe de recursos operacionais prontos para infligir o que denominou de “lições inesquecíveis” aos oponentes.
Como justificativa para a contraofensiva, o líder supremo mencionou os atos de bravura de combatentes islâmicos e a resistência popular registrados nos últimos dias na porção sul do território. Para a cúpula do regime iraniano, a percepção de Washington de que seria viável consolidar e sustentar uma ocupação militar estratégica em solo do Oriente Médio sem enfrentar insurgências locais duradouras representa um erro de cálculo e uma ilusão geopolítica por parte dos estrategistas ocidentais.
