Lula registra menor liderança entre beneficiários do Bolsa Família, aponta pesquisa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viu sua liderança recuar entre os brasileiros beneficiados pelo programa Bolsa Família, atingindo o menor patamar desde o início da série histórica do levantamento BTG/Nexus. Dados de uma nova rodada da pesquisa, obtidos com exclusividade pela coluna, mostram que o petista tem 51% das intenções de voto no segmento para a eleição presidencial.
O índice representa uma queda de 19 pontos percentuais em comparação ao final de julho, quando Lula registrava 70% da preferência desse eleitorado.
O recuo do atual presidente abre espaço para movimentações da oposição e de candidaturas alternativas, com diferentes patamares de penetração e resistência dentro do grupo que recebe o auxílio federal.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece na segunda posição entre os usuários do Bolsa Família, com 26% das intenções de voto no primeiro turno.
O levantamento detalha o potencial de voto do parlamentar no segmento: 19% afirmam que ele é o “único em quem votaria”, enquanto outros 19% dizem que “poderiam votar nele”, totalizando um teto de 38% de eleitores possíveis.
Por outro lado, Flávio enfrenta alta rejeição: 59% dos beneficiários declaram que “não votariam nele de jeito nenhum”. O índice de resistência é superior ao registrado entre os não beneficiários do programa, que é de 49%. Apenas 3% dos entrevistados no grupo disseram não conhecer o senador.
O escritor Augusto Cury atinge 10% das intenções de voto de primeiro turno entre os que recebem o benefício. Seu potencial de voto consolidado é de 33% (soma de 15% de voto exclusivo e 19% de voto possível).
O principal trunfo de Cury no segmento é a baixa taxa de rejeição: 24% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum, o menor índice entre todos os nomes testados pela pesquisa. Além disso, 39% dos beneficiários declaram não conhecê-lo, o que sugere margem para crescimento da candidatura.
O levantamento destaca que Cury registra mais que o dobro de eleitores convictos (“único em quem votaria”) entre os beneficiários do programa (15%) do que entre os não beneficiários (6%).
Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, os dados indicam um desafio para a oposição na tentativa de capturar o eleitor descontente com o governo.
“Enquanto Flávio Bolsonaro tem pouco espaço para crescer, com 59% de rejeição no segmento, Augusto Cury surge como um nome de baixíssima rejeição e surpreendente apelo convicto entre os mais pobres, posicionando-se como uma alternativa palatável para o eleitor que quer se afastar do governo, mas resiste ao bolsonarismo”, analisa.