BRASĂŤLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) reconheceu que a reforma administrativa deve ficar para 2021, em atraso atribuĂdo Ă demora do governo em encaminhar o texto e Ă necessidade de o Congresso priorizar a proposta da tributária e a PEC emergencial.
Maia concedeu entrevista à emissora GloboNews e falou sobre a dificuldade de tramitação dos textos no Congresso.
Segundo ele, nas prĂłximas semanas será instalada a comissĂŁo especial para debater o mĂ©rito da proposta. Esse passo seria posterior Ă análise da admissibilidade e constitucionalidade pela CCJ (ComissĂŁo de Constituição, Justiça e Cidadania), cujo funcionamento está suspenso por causa da pandemia do novo coronavĂrus. A reabertura depende de votação de projeto de resolução pela Câmara.
“O prazo de emenda vai acabar inviabilizando a votação neste ano, mas Ă© bom que a gente começou o debate”, afirmou. “Esse debate começou e nĂŁo vai terminar. A mesma coisa da previdenciária. Começou com presidente Michel [Temer] e terminou com presidente [Jair] Bolsonaro.”
A reforma administrativa proposta pelo governo no inĂcio de setembro nĂŁo atinge categorias especĂficas, como juĂzes, membros do MinistĂ©rio PĂşblico, militares e parlamentares.
A PEC (Proposta de Emenda Ă Constituição) proĂbe progressões automáticas de carreira, como as gratificações por tempo de serviço, e cria maiores restrições para acesso ao serviço pĂşblico. AlĂ©m disso, abre caminho para o fim da estabilidade em grande parte dos cargos, maior rigidez nas avaliações de desempenho e redução do nĂşmero de carreiras.
Neste domingo, Maia afirmou que o Congresso mantĂ©m o Ămpeto reformista e disse estar otimista em construir um texto de consenso com o governo sobre as mudanças no sistema tributário.
“Porque está muito bem encaminhado na casa, eu sinto a vontade dos parlamentares, deputados e senadores. E sinto a urgĂŞncia da PEC Emergencial que está no Senado”, afirmou. “Essa, sem dĂşvida nenhuma, eu tenho repetido, nĂłs nĂŁo temos outra alternativa para o Brasil.”
A PEC Emergencial cria mecanismos de ajuste fiscal, prevĂŞ medidas que reduzem benefĂcios de servidores e cria gatilhos para conter o avanço das despesas.
“Eu acho que fora dessa urgĂŞncia e da tributária, de fato, Ă© muito difĂcil que alguma coisa ande”, disse. “Eu acho que, pela urgĂŞncia, a Emergencial tem que passar de qualquer jeito. E eu acredito que a gente ainda consiga construir nas prĂłximas semanas um texto, inclusive com o governo, que possa gerar alguma unidade para que a gente possa melhorar o ambiente de negĂłcio.”
Na semana passada, o presidente da Câmara afirmou que, se tivesse que escolher uma das reformas para aprovar neste ano, escolheria a PEC Emergencial, chamada por ele de “a reforma das reformas.”


