Maia admite que reforma administrativa não deve ser votada neste ano

Por Marina, ContilNet 13/10/2020 Ă s 06:51

BRASĂŤLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) reconheceu que a reforma administrativa deve ficar para 2021, em atraso atribuĂ­do Ă  demora do governo em encaminhar o texto e Ă  necessidade de o Congresso priorizar a proposta da tributária e a PEC emergencial.

Maia concedeu entrevista à emissora GloboNews e falou sobre a dificuldade de tramitação dos textos no Congresso.

Segundo ele, nas próximas semanas será instalada a comissão especial para debater o mérito da proposta. Esse passo seria posterior à análise da admissibilidade e constitucionalidade pela CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), cujo funcionamento está suspenso por causa da pandemia do novo coronavírus. A reabertura depende de votação de projeto de resolução pela Câmara.

“O prazo de emenda vai acabar inviabilizando a votação neste ano, mas Ă© bom que a gente começou o debate”, afirmou. “Esse debate começou e nĂŁo vai terminar. A mesma coisa da previdenciária. Começou com presidente Michel [Temer] e terminou com presidente [Jair] Bolsonaro.”

A reforma administrativa proposta pelo governo no início de setembro não atinge categorias específicas, como juízes, membros do Ministério Público, militares e parlamentares.

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) proíbe progressões automáticas de carreira, como as gratificações por tempo de serviço, e cria maiores restrições para acesso ao serviço público. Além disso, abre caminho para o fim da estabilidade em grande parte dos cargos, maior rigidez nas avaliações de desempenho e redução do número de carreiras.

Neste domingo, Maia afirmou que o Congresso mantém o ímpeto reformista e disse estar otimista em construir um texto de consenso com o governo sobre as mudanças no sistema tributário.

“Porque está muito bem encaminhado na casa, eu sinto a vontade dos parlamentares, deputados e senadores. E sinto a urgĂŞncia da PEC Emergencial que está no Senado”, afirmou. “Essa, sem dĂşvida nenhuma, eu tenho repetido, nĂłs nĂŁo temos outra alternativa para o Brasil.”

A PEC Emergencial cria mecanismos de ajuste fiscal, prevê medidas que reduzem benefícios de servidores e cria gatilhos para conter o avanço das despesas.

“Eu acho que fora dessa urgĂŞncia e da tributária, de fato, Ă© muito difĂ­cil que alguma coisa ande”, disse. “Eu acho que, pela urgĂŞncia, a Emergencial tem que passar de qualquer jeito. E eu acredito que a gente ainda consiga construir nas prĂłximas semanas um texto, inclusive com o governo, que possa gerar alguma unidade para que a gente possa melhorar o ambiente de negĂłcio.”

Na semana passada, o presidente da Câmara afirmou que, se tivesse que escolher uma das reformas para aprovar neste ano, escolheria a PEC Emergencial, chamada por ele de “a reforma das reformas.”

ConteĂşdo Original / Fonte: Por NotĂ­cia ao Minuto

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