Marco Rubio sobe o tom e cobra libertação de 700 presos mantidos por Cuba

Chefe da diplomacia americana condicionou o debate à soltura de cidadãos detidos desde 2021.

Por Fhagner Soares, ContilNet 18/07/2026 às 20:18
Havana contesta a versão de Washington e afirma que detidos violaram leis vigentes no país/ Foto: Reprodução

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, cobrou formalmente do governo de Cuba, neste sábado (18), a libertação imediata de mais de 700 cidadãos classificados pela Casa Branca como presos políticos. O posicionamento de Washington foi divulgado por meio de uma nota oficial emitida pelo Departamento de Estado norte-americano.

“Pedimos a libertação imediata dos mais de 700 presos políticos mantidos injustamente pelo regime”, declarou o chefe da diplomacia dos Estados Unidos no comunicado.

O movimento diplomático ocorre no mesmo dia em que o artista plástico e líder opositor cubano Luis Manuel Otero Alcántara, de 38 anos, desembarcou na cidade de Miami após cumprir uma pena de cinco anos de reclusão em uma unidade prisional de segurança máxima localizada na ilha caribenha. O governo dos EUA concedeu a Alcántara uma autorização humanitária de ingresso no país, qualificando-o como um símbolo da resistência artística diante da repressão política exercida por Havana.

Ao desembarcar em solo americano, o ativista foi recepcionado por grupos de apoiadores da comunidade de exilados cubanos, que empunhavam bandeiras nacionais e entoavam “Pátria e Vida” — frase que se tornou o principal lema dos movimentos de oposição ao regime político cubano.

A libertação de Alcántara da prisão de Guanajay, situada nas proximidades de Havana, ocorreu mediante uma condição imposta pelas autoridades locais: o abandono imediato do território cubano.

O criador é um dos fundadores do Movimento San Isidro, um coletivo independente que reúne profissionais da literatura, da música e das artes visuais para contestar as duras restrições impostas à liberdade de expressão e de imprensa em Cuba. Ele havia sido detido em 11 de julho de 2021, no momento em que saía de sua residência particular para se juntar às manifestações populares que eclodiram no país. No ano seguinte, o Judiciário local o condenou sob as acusações formais de desrespeito aos símbolos nacionais, desacato e perturbação da ordem pública.

O governo cubano mantém uma postura firme de rejeição às acusações internacionais sobre violações de direitos civis. A gestão estatal nega categoricamente a existência de presos políticos ou ideológicos em suas penitenciárias.

Segundo a narrativa oficial de Havana, todos os indivíduos processados e condenados em decorrência dos protestos de 2021 responderam estritamente por crimes comuns tipificados na legislação penal nacional, como atos de vandalismo e desordem urbana, sem qualquer relação com perseguição a correntes de pensamento ou atividades artísticas.

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