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Marina Silva critica privatização e condena postura de Tarcísio ante tarifas dos EUA

Por Fhagner Soares, ContilNet 30/07/2026 às 05:45

Marina classifica declarações de Javier Milei em São Paulo como ataque às instituições brasileiras/ Foto: Reprodução

Em entrevista concedida ao portal Metrópoles, em São Paulo, a ex-ministra do Meio Ambiente e candidata ao Senado pela Rede, Marina Silva, manifestou forte preocupação com os rumos da pauta ambiental no estado e classificou como um erro estrutural a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), conduzida pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Segundo a postulante ao Congresso, a transferência do controle acionário da empresa para a iniciativa privada priorizou o retorno financeiro em detrimento da prestação de serviços à população. “Com a privatização da Sabesp, você agravou o problema, porque agora a lógica é do lucro. Em vez de ser de atender a população, a empresa está preocupada com seus dividendos”, declarou Marina, acrescentando defender o conceito de “Estado mobilizador” em vez de uma postura meramente provedora ou reguladora.

Concluído em 2024 após a compra de 15% das ações pela Equatorial Participações e Investimentos por R$ 6,9 bilhões, o processo de concessão da Sabesp tem sido acompanhado pelo salto no lucro da companhia e pela alta nas queixas de consumidores sobre cobranças em plataformas digitais. Em agosto de 2025, para conter os efeitos do desabastecimento, a concessionária reduziu a pressão de água na Região Metropolitana de São Paulo — restrição mantida atualmente no período das 19h às 5h.

Marina Silva também direcionou críticas ao posicionamento de Tarcísio de Freitas frente à sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A candidata cobrou uma postura mais ativa do governo paulista e criticou a declaração dada pelo governador em maio, quando questionou o impacto direto da medida americana sobre a gestão estadual.

A candidata ressaltou ter cumprido agenda no interior de São Paulo, visitando polos produtivos em Franca e Jales, onde colheu apreensão de empresários dos setores calçadista, de café, biocombustíveis e autopeças. Segundo estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o estado de São Paulo pode deixar de movimentar cerca de US$ 3 bilhões com as restrições comerciais.

Como resposta aos prejuízos ao setor produtivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, no último dia 22, uma medida provisória que destina R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento para socorrer empresas atingidas pelas alíquotas americanas, no âmbito da terceira fase do plano Brasil Soberano.

A ex-ministra comentou ainda as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, proferidas durante passagem por São Paulo no último fim de semana para a convenção nacional do Partido Liberal (PL), oportunidade na qual o líder argentino recebeu do governador Tarcísio de Freitas a Ordem do Ipiranga.

Para Marina, as ofensas dirigidas por Milei ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), representam um desacato às instituições brasileiras. “Quando o Milei vem aqui e ataca o presidente Lula e o ministro do Supremo, ele não está atacando uma pessoa, ele está atacando o Estado brasileiro”, pontuou.

Apesar da escalada verbal, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, descartou nesta quarta-feira (29/7) qualquer hipótese de rompimento das relações diplomáticas entre as duas nações, assegurando que divergências ideológicas não afetarão o vínculo institucional bilateral.

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