A incógnita começou a existir, desde que o MDB, precipitadamente, declarou-se para o PP/UB, para o então Governador Gladson Cameli, na esperança de que este tivesse sua candidatura ao Senado Federal confirmada, o que não aconteceu até agora, e desde que receberia a devida atenção e valorização, com a entrega de relevantes cargos na Administração Estadual, por parte da futura candidata ao Governo, Mailza Assis, o que também não aconteceu.
Neste jogo de xadrez no tabuleiro da política, as manifestações precipitadas de que o apoio insignificante do atual prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, ao bandear para o lado do Republicanos, pode definir outro candidato como vice de Alan Rick, não Jéssica Sales, padece de compreensão desconectada com a realidade política e histórica de Cruzeiro do Sul e de todo o Juruá.
Em termos de política e força eleitoral, lá quem manda é a Família Sales de um lado e a Família Cameli de outro, juntamente com Nicolau Junior. Não existe outrem. O atual prefeito, Zequinha Lima, não possui, por si só, absolutamente nenhuma força política, eleitoral, a não ser contar com o apoio de alguns servidores públicos municiais, além de não ter dinheiro.
Vamos cair na real e respeitar o óbvio ululante. Antes de Gladson Cameli, Jonatham Donadoni e a senhora Máquina Pública do Estado armarem acampamento em Cruzeiro do Sul, nas últimas eleições municipais, Zequinha Lima perdia em todas as pesquisas eleitorais, de quase 80% para 20%, que é o que conseguia com a maquininha pública nas mãos, e isto ele não tem mais. Foi só naquele momento. Além de carregar o desgaste que quase todo gestor leva, em um segundo mandato à frente de um Executivo Municipal.
Os que estavam com Zequinha Lima não estão agora e não estarão mais, para ajudá-lo administrativamente. Gladson, Nicolau e todos seus seguidores estão e estarão com Mailza Assis. A maquinona pública do Estado está com Mailza Assis. Zequinha Lima está nu, só.
Agora, com a saída de Jonatham Donadoni, o apoio imprescindível para uma boa gestão que possuía (contratos; convênios; transferências e capacidade de aglutinação) também não existe mais. Vai levar o que, então, para Alan Rick? Para Alan Rick poderá levar o desgaste de uma gestão mal avaliada, simples assim.
Se o entendimento é de que com Zequinha Lima teria, agora, independentemente dos Sales, a metade do Juruá, e, por isso, poderia indicar quem quisesse para ser vice, esta compreensão padece do mínimo conhecimento da realidade política do que aconteceu e acontece no Juruá, politicamente.
Se, de um lado está a interminável novela de indecisão do MDB, que irrita muitos, por outro existe a miopia dos pretendentes à sua companhia, que não conseguem enxergar que sem o apoio do MDB não ganharão as eleições para o cargo de Governo de Estado, e, por isso, não lhe dispensam o devido espaço e consideração.
A matemática eleitoral é também ciência exata, bastando somar a votação que teve em Cruzeiro do Sul, contra TUDO e contra TODOS, sem apoio e sem estrutura, com a votação que obteve também na Capital, no Alto Acre e outros municípios, para se reconhecer a capilaridade e força eleitoral do Azulão, sem contar a qualidade de seus candidatos.
A célebre frase “Se me queres porque não me tomas”, reflete, na lição do chat GPT, “uma cobrança por atitudes. A pessoa exige que o outro concretize a intenção declarada ou demonstre, na prática, o interesse que diz ter. É o clássico dilema entre a intenção e a ação, apontando um impasse na relação”. O MDB não é seu, porque você não quis.
*Gilson Pescador


