Milei assina decreto para barrar e expulsar estrangeiros que incitarem ódio

Dispositivo legal será analisado por comissão do Congresso argentino no prazo de dez dias úteis

Por Fhagner Soares, ContilNet
Decisão ocorre após declarações ofensivas de Milei contra Lula e o ministro Alexandre de Moraes/ Foto: Tomas Cuesta/Getty Images

O presidente da Argentina, Javier Milei, assinou um decreto de necessidade e urgência que determina a proibição de entrada e a imediata expulsão de estrangeiros que incitarem o ódio, a discriminação, a violência ou realizarem atos de ultraje contra os símbolos nacionais do país. O anúncio oficial ocorreu na madrugada desta quinta-feira (30/7), por meio das redes sociais da Presidência argentina, no ápice de uma escalada de tensão diplomática com o governo do Brasil.

De acordo com o texto publicado na edição desta quinta-feira do Diário Oficial argentino, sob o número 681/2026, a medida fundamenta-se na observação de um “aumento considerável nas mensagens de ódio e em atos de hostilidade e desprezo dirigidos especificamente contra o povo argentino, sua cultura e sua identidade nacional”.

Em nota divulgada no X (antigo Twitter), o Gabinete da Presidência afirmou que a defesa da nação e de seus símbolos “não é negociável” diante das recentes demonstrações de hostilidade. “Quem atacar a República Argentina não é bem-vindo em nosso país”, destacou o comunicado oficial da Casa Rosada.

Para embasar a determinação, o texto presidencial cita jurisprudência da Corte Suprema de Justiça da Nação — instância máxima do Judiciário argentino —, a qual estabelece que qualquer Estado soberano possui o poder inerente de admitir ou vetar a presença de cidadãos estrangeiros em seu território sob as condições que julgar convenientes.

Por ter sido editado como Decreto de Necessidade e Urgência (DNU), o dispositivo legal será submetido à Comissão Bicameral Permanente do Congresso argentino, que disporá de dez dias úteis para analisar a validade formal do documento e emitir parecer para as duas Casas do Poder Legislativo.

A edição do decreto ocorre no contexto de forte desgaste nas relações bilaterais entre Brasília e Buenos Aires. No último sábado (25/7), durante participação na convenção do Partido Liberal (PL), Milei proferiu ofensas diretas a autoridades brasileiras, classificando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “presidiário” e o responsabilizando por “tragédias econômicas”, além de direcionar xingamentos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O episódio provocou a reação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires e o encarregado de negócios argentino em Brasília para prestar esclarecimentos. Em resposta às declarações do homólogo vizinho, o presidente Lula afirmou publicamente que o líder argentino cometeu uma “patacoada” no evento político.

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